Vereadores da Câmara Municipal de Londrina (CML) estiveram na manhã desta quinta-feira (5) nos dois Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) do Município para averiguar as condições das instalações e analisar alternativas para problemas recorrentes nos locais, como descartes irregulares e queimadas. Motivada pelo incêndio que ocorreu na quarta-feira passada (28 de janeiro) no PEV Vista Bela, a visita foi conduzida pela Comissão de Política Urbana, Meio Ambiente, Segurança Pública, Direitos e Bem-Estar Animal, composta pelos vereadores Matheus Thum (PP), Deivid Wisley (Republicanos) e Roberto Fú (PL). Os parlamentares foram acompanhados pelo secretário municipal de Ambiente, Gilmar Domingues; pelo gerente de Resíduos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Roney Felipe Moratto; pelo diretor de Operações da CMTU, Ricardo Aparecido Ferreira; e pela capitã do Corpo de Bombeiros Luana Silva.
O ponto de partida da inspeção foi o PEV do Jardim Nova Conquista, localizado no final da Avenida Capitão João Busse, zona leste da cidade. A avaliação abrangeu desde a correta identificação e delimitação da área até o controle de acesso e a frequência de coleta dos itens descartados. Depois, a comissão seguiu para o PEV do Vista Bela, local que recentemente registrou um incêndio e que nesta quinta ainda queimava, gerando preocupação quanto à segurança e à saúde da comunidade no entorno.
O presidente da comissão, vereador Matheus Thum, destacou diversas irregularidades constatadas, como a falta de contrato para a limpeza frequente dos espaços, o que leva ao acúmulo de resíduos e motiva pessoas a colocarem fogo intencionalmente para forçar a ação do poder público. Ele também alertou que a fumaça dos incêndios tem chegado à região central, e cobrou do Poder Executivo uma força-tarefa com mais maquinários e caminhões para lidar com o que classificou como uma situação de calamidade.
A capitã do Corpo de Bombeiros Luana Silva, explicou que a situação exige a junção de forças entre os órgãos públicos. Para evitar que novos incêndios tomem grandes proporções, como o que se estende por dias no Vista Bela, ela afirmou ser necessária uma mudança na estrutura do local. A principal medida seria a divisão da área em setores menores, com separação e classificação dos tipos de materiais e a criação de aceiros (espaços vazios entre os montes de resíduos). Essa organização impediria a propagação rápida do fogo e permitiria um combate direto e efetivo pelo Corpo de Bombeiros, que atualmente não consegue fazer com que a água chegue ao fundo dos grandes montes de material. A capitã também reforçou a necessidade de cercamento do PEV Vista Bela e controle de acesso, medidas que, junto com a monitorização, ajudariam a prevenir incidentes, sejam eles intencionais, por descuido ou ignorância.
Controle
Durante a visita, o diretor de Operações da CMTU, Ricardo Aparecido Ferreira, informou que os PEVs são destinados apenas aos pequenos geradores e cada pessoa pode deixar até 1 metro cúbico de materiais, o que equivale ao volume de uma caixa d’água de mil litros ou cerca de oito carrinhos de mão cheios. “É para o pequeno gerador que faz uma pequena reforma e não precisa de caçamba. Verificamos visualmente se o volume é de até 1 m³, anotamos a placa do carro, a origem e o que está sendo trazido. A pessoa não pode vir mais de uma vez no mesmo dia. Além disso, só é permitido trazer um sofá ou um colchão por vez”, disse. A checagem é feita por funcionários de uma empresa terceirizada.
No entanto, durante a vistoria, os vereadores constataram falhas no controle. O vereador Matheus Thum afirmou que não há monitoramento efetivo na entrada, o que impede saber o volume exato de material colocado mensalmente nos locais. Ele relatou que, no primeiro PEV visitado, no Jardim Nova Conquista, foi flagrado carro de uma empresa de estofados fazendo descarte. Thum criticou a ausência de câmeras de segurança e da Guarda Municipal, caracterizando os PEVs como locais onde as pessoas simplesmente vêm e jogam lixo, e mencionou denúncias de descarte por grandes geradores.
Thum ressaltou que Londrina precisa urgentemente de mais Pontos de Entrega Voluntária (PEVs). Ele destacou que há projetos de novos PEVs, mas eles precisam sair do papel, com pontos de descarte distribuídos pela cidade. “Precisamos forçar o Poder Executivo a tomar medidas urgentes que sejam soluções definitivas, e não só apagar o fogo”, cobrou.Segundo ele, a Comissão de Política Urbana deve elaborar um relatório com as constatações da visita e encaminhar recomendações à Prefeitura, além de agendar uma reunião com a presença do Ministério Público.
Contexto
Atualmente, Londrina conta com apenas dois PEVs em funcionamento – um na zona norte e um na zona leste –, número considerado insuficiente para atender a demanda de uma cidade com mais de 580 mil habitantes. A questão é acompanhada há anos pela Câmara Municipal, e, na gestão anterior, a Prefeitura havia informado a intenção de construir um novo ponto de entrega, promessa ainda não concretizada. Em 2022, já havia licença ambiental e projeto para a abertura de um novo PEV na zona norte. O terreno, com 12.486,07 metros quadrados, fica no Jardim Moema (Tropical), na Rua Júlio Loni.
O Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, instituído pela lei municipal nº 13.438/2022 e em vigor desde julho do ano passado, prevê a ampliação da rede de PEVs como parte das metas para a gestão sustentável de resíduos. O documento, publicado em 2022, previa que em quatro anos ao menos quatro PEVs deveriam estar em funcionamento na cidade. A meta é que o município chegue a 12 PEVs até 2041. Informações da CML



