O governo do Irã confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989, atingido nos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, autoridades iranianas afirmaram que a morte “jamais ficará impune” e prometeram retaliação “em escala histórica”.

A confirmação encerra horas de versões contraditórias sobre o destino do líder religioso e político, considerado a autoridade máxima da República Islâmica. Mais cedo, Israel e autoridades americanas já declararam que Khamenei estava morto na operação. A mídia estatal iraniana, no entanto, negou a informação.

A morte de Khamenei ocorre em meio à maior agressão militar direta contra o território iraniano em décadas. Segundo a Sociedade Crescente Vermelha, pelo menos 201 pessoas morreram e 747 morreram feridas nos ataques, que atingiram 24 das 31 províncias do país.

Entre os alvos está uma escola para meninas na cidade de Minab, no sul do Irã. De acordo com a agência estatal Irna, pelo menos 57 estudantes morreram e 60 ficaram feridos após o prédio ser atingido durante o horário de aula. Autoridades locais afirmam que o número de vítimas pode subir para 85, com bolsas de pessoas ainda sob os escombros.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou o bombardeio como um “crime flagrante” e cobrou ação imediata do Conselho de Segurança da ONU. A Organização das Nações Unidas pediu cessar-fogo imediato. Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva.

Por que EUA e Israel atuaram juntos

A intervenção conjunta reflete a convergência estratégica entre Washington e Tel Aviv em relação ao programa nuclear iraniano e à influência regional de Teerã. Israel considera o avanço nuclear do Irã uma ameaça existencial e, há anos, defende ações preventivas para impedir que o alcance da capacidade militar atômica do país.

Já os Estados Unidos, aliados históricos de Israel e com bases militares espalhadas pelo Oriente Médio, avaliam que o fortalecimento do Irã amplia riscos à segurança regional, à proteção de aliados árabes e às rotas globais de energia. A ação coordenada também sinaliza uma tentativa de restaurar a capacidade de dissuasão diante de que ambos se classificam como escalada iraniana, tanto no campo nuclear quanto no apoio a grupos armados na região, como Hezbollah e milícias no Iraque e no Iêmen.

Retaliação e risco de guerra regional

Após a confirmação da morte de Khamenei, a Guarda Revolucionária Islâmica declarou que a resposta será “contínua e proporcional à agressão”. O Irã já lançou mísseis e drones contra Israel e contra países que abrigaram bases militares americanas, como Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.

Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em várias cidades israelenses. Bases americanas na região entraram em estado máximo de prontidão. Analistas avaliam que a troca direta de ataques rompe o padrão anterior de confronto indireto, marcada por disputas por meio de grupos aliados, e eleva significativamente o risco de uma guerra regional aberta.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação teve como objetivo “eliminar uma ameaça de décadas” e impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Ele declarou ainda que as forças de segurança iranianas deveriam depor armas e sugeriu que a população derrubou o regime após o fim dos bombardeios.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou a operação como preventiva e afirmou que o complexo do líder supremo foi destruído, além de comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do setor nuclear foram mortos.

Os bombardeios ocorreram dois dias após uma rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre os limites do programa nuclear iraniano. O Irã sustenta que sua tecnologia nuclear tem fins pacíficos. Estados Unidos e Israel afirmam que o desenvolvimento representa uma ameaça estratégica e pode ter finalidade militar.

Crise institucional no

Ali Hosseini Khamenei, nascido em 1939, assumiu o posto de líder supremo em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador do regime instaurado pela Revolução Islâmica de 1979. Antes, foi presidente do país entre 1981 e 1989.

Como aiatolá, concentrava poderes superiores ao presidente eleito: nomeava chefes das Forças Armadas, comandava a Guarda Revolucionária, supervisionava o Judiciário, influenciava o Conselho dos Guardiães e definia as diretrizes estratégicas de política externa e nuclear.

A confirmação de sua morte abre uma grande crise institucional no Irã desde 1979. Pela Constituição iraniana, a sucessão do líder supremo cabe à Assembleia dos Peritos, órgão clerical responsável por escolher o novo Rahbar. O processo, porém, ocorre em meio a bombardeios, retaliações militares e forte instabilidade interna.

Especialistas avaliam que a disputa pela sucessão pode dividir divisões internas no regime e influenciar diretamente o boato da resposta iraniana aos ataques.

Brasil condena ofensivo

O governo brasileiro condenou oficialmente os bombardeios e manifestou “grave preocupação” com a escalada das dívidas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que os ataques ocorreram em meio a negociações diplomáticas e reiterou que o diálogo é “o único caminho viável para a paz”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam a máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e garantir a proteção do cidadão e da infraestrutura civil”, diz o comunicado.

O Itamaraty informou que acompanha a situação por meio das representações diplomáticas na região e prestação de assistência à comunidade brasileira.

Impacto global

A morte do líder supremo iraniano, somada à agressão militar em larga escala, altera de forma dramática o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio. Além do risco de guerra regional, há preocupação com impactos sobre o mercado internacional de energia, cadeias de abastecimento e estabilidade financeira global.

Com o Irã prometendo que a morte de Khamenei “jamais ficará impune” e mantendo ataques de retaliação, a comunidade internacional agora se mobiliza para tentar conter uma escalada que possa ultrapassar as fronteiras da região. Informações do Congresso em Foco