Na manhã desta quarta-feira (6), vereadores e representantes do Poder Executivo participaram de reunião pública na Câmara Municipal de Londrina (CML) para discutir as causas, os riscos e as medidas de controle diante do aumento das ocorrências com escorpiões no município. O debate focou, prioritariamente, na presença desses animais peçonhentos em escolas municipais e seus entornos, buscando definir estratégias imediatas para garantir a segurança da comunidade escolar.

Aberta ao público e com transmissão ao vivo pelo Facebook e Youtube da CML, a reunião foi coordenada por duas comissões parlamentares: a Comissão de Política Urbana, Meio Ambiente, Segurança Pública, Direitos e Bem-estar Animal e a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Paradesporto e Lazer. O encontro contou com a participação dos responsáveis pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CML) e pelas secretarias municipais de Educação e Ambiente, além de servidores da Secretaria Municipal de Saúde.

Questionamentos e estratégias

Dados da Secretaria Municipal de Saúde, obtidos por meio de um Pedido de Informações (PI nº 698/2025) realizado no ano passado pela vereadora Michele Thomazinho (PL), mostram que 170 acidentes com escorpiões foram registrados em Londrina em 2023 e, no ano seguinte, o número dobrou, passando para 343. Já em 2025, foram registradas 498 ocorrências.

Durante a reunião, os vereadores demonstraram preocupação com o problema. Matheus Thum (PP), que preside as duas comissões temáticas da CML, enfatizou a urgência de respostas coordenadas e lembrou de vistoria feita pelas comissões de Educação e de Política Urbana na Escola Municipal Professora Maria Tereza Meleiro, na zona oeste da cidade, no mês passado, após denúncias da comunidade sobre a presença de escorpiões. “Há alguns 15, 20 dias, eu e a vereadora Michele Thomazinho fizemos uma fiscalização numa escola no Jardim Maria Lúcia, onde a gente já constatou um trabalho sendo realizado pelo setor de endemias lá no local. Essa semana voltamos a ter ocorrência nessa escola, de aparecimento de escorpião dentro da sala de aula“, disse.

Matheus Thum exibiu um vídeo feito na instituição de ensino e nos arredores da escola, onde segundo ele medidas drásticas estão sendo tomadas, como o fechamento de ralos com concreto. O vereador expressou preocupação com essa medida, pois pode gerar problemas no escoamento de água e favorecer focos de água parada. Ele também mencionou o acúmulo de lixo em torno da escola e em casas vizinhas. “Os casos de escorpião têm tomado uma proporção que eu, enquanto vereador há oito anos aqui, nunca tinha visto. E isso a gente vê pelo volume de demandas que chegam no gabinete”, afirmou.

O vereador cobrou que os canais de comunicação para denúncias, como os telefones da Vigilância Ambiental, e as instruções de prevenção sejam mais acessíveis e amplamente divulgados para a população. Para o vereador, é fundamental que o cidadão saiba exatamente a quem recorrer e como agir com segurança ao encontrar o animal.

Exposição do Poder Executivo

A assessora da Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde, Cláudia Haggi, informou que o município utiliza atualmente mais de 700 abrigos artificiais para escorpiões em pontos estratégicos. Essa tecnologia permite mapear as áreas de maior risco e tem demonstrado eficácia. “Existe um cenário nacional de aumento da incidência de escorpiões e acidentes que está fora da realidade comum. Londrina vem trabalhando há algum tempo com estratégias inovadoras de manejo, controle e monitoramento. Hoje somos referência para outros municípios, que nos procuram semanalmente para aprender sobre a implantação de abrigos, algo inovador criado pela Vigilância de Londrina em parceria com universidades para atender a essa demanda crescente. É importante destacar que o escorpião, ao contrário do mosquito Aedes aegypti, não depende do ser humano para sobreviver. Ele não vai atrás do ser humano; na verdade, ele se defende quando nos aproximamos”, explicou.

Como medida preventiva, Haggi explica que é preciso promover mudanças no ambiente, garantindo a limpeza e a vedação de locais que permitam o convívio com o escorpião. Caso a pessoa encontre um escorpião (vivo ou morto), a orientação é não tocar nem bater no animal. Deve-se usar um objeto, como um copo, à distância, para prendê-lo e comunicar imediatamente a Vigilância Ambiental (3372-9407). A denúncia é essencial para que os técnicos avaliem o entorno e identifiquem fatores ambientais que favoreçam a presença do animal.

Em caso de picada, a assessora explica que se deve procurar o serviço de saúde o mais rápido possível, sendo a rapidez um fator determinante para a eficácia do tratamento, especialmente em crianças e idosos. Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) é a unidade de referência para a aplicação do soro antiescorpiônico, especialmente para crianças com mais de 7 anos. Se não for possível capturar o animal com segurança, Cláudia orienta que a pessoa deve, ao menos, fotografar o escorpião. Levar a foto ou o animal ao atendimento médico ajuda a equipe de saúde a confirmar a necessidade do soro e a direcionar o tratamento adequado.

O presidente da CMTU, Renan Salvador, ressaltou que a manutenção da limpeza em terrenos e áreas públicas é fundamental para reduzir a oferta de alimento aos escorpiões e afirmou que a companhia está priorizando os arredores das unidades educacionais no cronograma de roçagem. “A barata é alimento do escorpião e o alimento da barata é o que a gente imagina, né? Ela come muito o lixo orgânico. Então, o orgânico também é de nossa responsabilidade; estamos potencializando a coleta para justamente não ficar resíduos orgânicos nas calçadas, para recolher restos de alimentos”, afirmou.

Sobre o fechamento de aberturas, Salvador ressaltou que estruturas nas áreas externas não foram tampadas com concreto. Ele explicou que o fechamento por meio de vedação ocorreu apenas em áreas internas, sob a orientação técnica de engenheiros da própria Secretaria de Educação. Para as áreas externas, o presidente da CMTU afirmou que a estratégia adotada é a instalação de grades.

Ações nas escolas

Por sua vez, a secretária de Educação, Thatiane Verni Lopes de Araújo, chamou a atenção para as medidas adotadas pela rede municipal de ensino. Segundo ela, todas as escolas municipais já passaram por roçagem e as manutenções têm sido acompanhadas pela secretaria. “Desde fevereiro, já atuamos em 37 unidades escolares, o que representa quase 30% da rede em menos de três meses. Além disso, concluímos 100% do segundo ciclo de roçagem nas escolas. É importante destacar que todas as unidades foram roçadas; o monitoramento é feito com fotos e relatórios em tempo real pelos diretores. O terceiro ciclo de roçagem está previsto para começar no dia 11 de maio”, exemplificou. Ela disse ainda que a secretaria tem realizado um trabalho pedagógico, com orientações aos alunos sobre como agir ao encontrar um escorpião.

Também participou da reunião o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira. Ele caracterizou o cenário atual como de desequilíbrio ambiental. Segundo ele, esses animais se adaptaram para viver no ambiente urbano, aproveitando-se das condições oferecidas pelos seres humanos. Ele informou que a Secretaria Municipal do Ambiente está finalizando a contratação da Fundação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para auxiliar as instituições no entendimento técnico desses níveis de infestação. Ainda segundo Domingues, já foram mapeados 42 pontos críticos.

O encontro reforçou que a medida mais eficiente continua sendo a eliminação de frestas, entulhos e fontes de alimento, como baratas, para evitar a proliferação dos escorpiões. Informações da CML