O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) divulgou nesta quinta-feira (7) uma nota pública para rebater críticas sobre sua atuação no caso Master, defender o projeto que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e atacar Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco investigado pela Polícia Federal (PF).
Na manifestação, o bolsonarista paranaense afirma que quem ataca a proposta apresentada por ele não estaria defendendo o cidadão, mas protegendo os grandes bancos. A frase é uma tentativa de inverter a leitura política que cresceu desde que o escândalo do Master passou a expor relações perigosas entre dinheiro graúdo, Brasília e operadores do sistema financeiro.
Barros diz que sua proposta tinha como objetivo resguardar o pequeno e médio investidor de escândalos como o do Master. Segundo ele, a tramitação foi retirada meses atrás por causa de ilações que, em sua avaliação, distorciam o propósito original do projeto.
A Câmara dos Deputados registra que o PL 4395/2024, de autoria de Filipe Barros, foi apresentado em 14 de novembro de 2024. A ementa da proposta alterava o limite de cobertura do FGC para até R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ. O texto foi retirado pelo próprio autor em fevereiro, após deferimento do Requerimento 65/2026.
O ponto sensível é justamente esse. A garantia ordinária do FGC é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado. Ao elevar esse teto para R$ 1 milhão, o projeto mexia numa engrenagem decisiva para bancos médios, que usam a proteção do fundo como argumento para atrair investidores.
O deputado sustenta que o FGC é bancado pelos próprios bancos e que a crítica à proposta favorece as maiores instituições do sistema. Ainda assim, no ambiente contaminado pelo caso Master, a ampliação da garantia virou munição política contra parlamentares da direita que defenderam mudanças no mesmo terreno em que o banco buscava preservar confiança e captação.
Na nota, Barros também afirma que, em dezembro de 2024, foi o primeiro parlamentar a denunciar à PF negócios que ele chama de escusos envolvendo o Master e a Reag Investimentos. Ele diz ainda ter sido um dos primeiros a assinar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master.
A parte mais dura da nota mira diretamente Daniel Vorcaro. Barros escreveu que quer que Vorcaro e sua “gangue” apodreçam na cadeia. É uma formulação de guerra política, feita para afastar o deputado de qualquer suspeita de simpatia ou blindagem ao banqueiro, mas que também recoloca o parlamentar no centro do debate que ele tenta controlar.
O caso voltou a ferver nesta quinta-feira (7), quando a PF deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. A corporação informou que cumpria dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária em três estados e no Distrito Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), além de bloqueio de R$ 18,85 milhões.
A operação alcançou Ciro Nogueira (PP-PI), um dos chefes do Centrão e aliado de primeira hora do bolsonarismo. Segundo a CNN Brasil, a PF apontou o senador como destinatário central de vantagens indevidas de Daniel Vorcaro e como agente público que teria usado o mandato em favor do ex-controlador do Master. Ciro nega irregularidades.
A entrada de Ciro no alvo da operação dá ao escândalo uma dimensão ainda mais incômoda para a direita. O senador é peça influente na engrenagem de 2026 e um dos entusiastas da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Filipe Barros, por sua vez, é um dos nomes mais visíveis do bolsonarismo no Paraná.
O Blog do Esmael registrou em março que a direita tentou se afastar da fotografia do Master depois de ter defendido iniciativas que ampliavam o guarda-chuva do FGC. Também publicou, na ocasião, nota anterior de Filipe Barros, na qual o deputado já contestava a interpretação de que teria atuado em favor do banco.
A nova nota mostra que Barros decidiu subir o tom. Ele quer ser visto como acusador, não como alguém que flertou com uma solução legislativa útil ao ambiente de captação do Master. Mas a política cobra recibo: o projeto existiu, elevava o teto do FGC e só saiu de cena quando o escândalo já tinha virado incêndio nacional.
Aqui está a íntegra da nota de Filipe Barros sobre o caso Master:
DEPUTADO FILIPE BARROS | NOTA PÚBLICA | FGC
07/05/2026
Quem ataca um projeto como o que apresentei não está defendendo o cidadão, mas sim protegendo os grandes bancos – que são os principais responsáveis pelo FGC.
A proposta visava justamente resguardar o pequeno e médio investidor de escândalos como o do Master, mas, por conta de ilações que distorciam seu propósito, retirei-a de pauta meses atrás.
Lembro, também, que, em dezembro de 2024, fui o primeiro parlamentar denunciar para Polícia Federal os negócios escusos do Master com a Reag Investimentos, além de ter sido um dos primeiros a assinar a CPMI do Banco Master.
Quero que Daniel Vorcaro e sua gangue apodreçam na cadeia.



