O Cidadania oficializou nesta sexta-feira (22) o apoio à pré-candidatura do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi tomada por unanimidade pela Executiva Nacional da legenda e agora será debatida com o PSDB.

A reunião foi conduzida pelo presidente nacional do Cidadania, deputado Alex Manente (SP), que defendeu o nome do tucano como alternativa ao debate político entre lulismo e bolsonarismo. Segundo ele, o ex-governador mineiro teria capacidade de liderar um projeto político para estabilidade econômica, diálogo institucional e crescimento sustentável.

Reunião na terça-feira

A escolha ainda precisa ser validada na reunião conjunta da federação, marcada para terça-feira (26), quando os partidos deverão discutir o cenário eleitoral e possíveis alianças para a sucessão presidencial.

A proposta reforçará a tentativa de setores do centro político de construir uma candidatura competitiva fora dos polos representados pelo presidente Lula e pelo grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nos últimos meses, o PSDB buscou diferentes caminhos para a disputa presidencial. Integrantes da legenda chegaram a discutir a possibilidade de apoiar o ex-ministro Ciro Gomes, mas o pedetista decidiu concentrar sua atuação na disputa pelo governo do Ceará.

O nome de Aécio ganhou força internamente após sinais de desgaste da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a enfrentar maior resistência política depois da divulgação de mensagens envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Flávio e Vorcaro

Levantamento Datafolha publicado sexta-feira mostrou o aumento desta infecção ao senador fluminense. Segundo a pesquisa, 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro para presidente. O índice é numericamente superior ao registrado pelo presidente Lula, rejeitado por 45% dos eleitores consultados.

As conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ampliaram a pressão sobre aliados do PL e abriram espaço para novas articulações no campo da centro-direita. Lideranças partidárias avaliando o cenário podem favorecer candidaturas consideradas mais moderadas ou capazes de dialogar com diferentes setores políticos.

Aécio Neves disputou a Presidência da República em 2014, quando perdeu o segundo turno para Dilma Rousseff (PT). Desde então, manteve atuação mais discreta no Congresso Nacional e voltou a ocupar espaço nas articulações nacionais do PSDB nos últimos anos. Informações do Congresso em Foco