A décima oitava edição da história dos Mundiais quebrou barreiras geográficas e culturais ao desembarcar de forma inédita no continente africano em junho de 2010. A África do Sul foi a nação escolhida pela FIFA para sediar a Copa do Mundo de 2010, um evento carregado de imenso simbolismo político e social, personificado pelo abraço do líder Nelson Mandela ao torneio. O comitê organizador entregou uma festa vibrante, colorida e contagiante que uniu os povos sob o ritmo da música oficial “Waka Waka”, espalhando os jogos por dez modernos e imponentes estádios.

Os bastidores atmosféricos da competição ficaram eternizados pelo som incessante e ensurdecedor das vuvuzelas, as tradicionais cornetas plásticas sul-africanas que se transformaram na grande marca registrada das arquibancadas. No aspecto técnico, o torneio enfrentou intensas e pesadas críticas por parte de goleiros e atacantes devido à Jabulani, a bola oficial desenvolvida para aquela edição. Classificada por muitos atletas como imprevisível e excessivamente veloz devido à sua trajetória aerodinâmica instável na altitude, a bola acabou ditando o ritmo de diversas partidas.

A fase inicial da competição foi o cenário de vexames históricos e quedas precoces das maiores potências do futebol europeu. O mundo testemunhou o colapso completo da França, vice-campeã de 2006, que viveu uma crise interna com direito a motim dos jogadores contra o técnico Raymond Domenech e acabou eliminada na lanterna. A atual campeã, Itália, repetiu o fiasco e também se despediu de forma melancólica, sem vencer um único jogo. Por outro lado, a seleção de Gana carregou o orgulho do continente ao avançar com valentia até as quartas de final.

Para a Seleção Brasileira, a jornada em território africano representou o fim de um ciclo tático pragmático sob o comando do técnico Dunga. Focado na disciplina rígida, no preparo físico e nos contra-ataques velozes, o Brasil avançou na liderança isolada de seu grupo e atropelou o Chile nas oitavas de final com autoridade. No entanto, o sonho do hexacampeonato ruiu de forma dramática nas quartas de final diante da Holanda, em um segundo tempo marcado por falhas defensivas aéreas, descontrole emocional e a expulsão do volante Felipe Melo.

A grande e incontestável coroação daquela edição premiou a excelência técnica, a paciência e a precisão do futebol de posse de bola da Espanha, conhecido mundialmente como “Tiki-Taka”. Sob a liderança de Vicente del Bosque, os espanhóis assimilaram um tropeço chocante na estreia diante da Suíça e engrenaram vitórias cirúrgicas pelo placar mínimo ao longo de todo o mata-mata direto. A resiliência tática do elenco comandado por Xavi, Iniesta e Casillas pavimentou o caminho da Fúria rumo a uma decisão inédita e dramática em Joanesburgo.

Resultados da Copa do Mundo de 2010

Primeira fase – Grupo A

O grupo da seleção anfitriã entrou para a história de forma melancólica para o povo local, já que a África do Sul tornou-se a primeira dona da casa a cair na fase inicial. O Uruguai desfilou solidez defensiva e liderou com autoridade, avançando ao lado do México. A gigante França viveu um vexame histórico, com direito a motim dos jogadores contra o treinador, terminando na lanterna.

  1. 11 de junho – África do Sul 1 x 1 México – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  2. 11 de junho – Uruguai 0 x 0 França – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  3. 16 de junho – África do Sul 0 x 3 Uruguai – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  4. 17 de junho – França 0 x 2 México – Estádio Peter Mokaba (Polokwane)
  5. 22 de junho – México 0 x 1 Uruguai – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  6. 22 de junho – França 1 x 2 África do Sul – Estádio Free State (Bloemfontein)

Primeira fase – Grupo B

Esta chave da Copa do Mundo caracterizou-se pelo amplo domínio técnico da seleção da Argentina, dirigida no banco de reservas pelo ídolo Diego Maradona. Contando com o brilho do craque Lionel Messi, os argentinos venceram todos os seus três compromissos com facilidade. A Coreia do Sul apresentou um futebol dinâmico e de muita intensidade física para assegurar a segunda vaga.

  1. 12 de junho – Coreia do Sul 2 x 0 Grécia – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  2. 12 de junho – Argentina 1 x 0 Nigéria – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  3. 17 de junho – Argentina 4 x 1 Coreia do Sul – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  4. 17 de junho – Grécia 2 x 1 Nigéria – Estádio Free State (Bloemfontein)
  5. 22 de junho – Nigéria 2 x 2 Coreia do Sul – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  6. 22 de junho – Grécia 0 x 2 Argentina – Estádio Peter Mokaba (Polokwane)

Primeira fase – Grupo C

O Grupo C testemunhou uma disputa emocionante e equilibrada pelas vagas, decidida apenas nos minutos derradeiros da última rodada. Os Estados Unidos exibiram enorme brio coletivo para arrancar a liderança da chave com um gol salvador nos acréscimos. A tradicional seleção da Inglaterra oscilou bastante tecnicamente, mas confirmou o favoritismo mínimo para avançar em segundo.

  1. 12 de junho – Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  2. 13 de junho – Argélia 0 x 1 Eslovênia – Estádio Peter Mokaba (Polokwane)
  3. 18 de junho – Eslovênia 2 x 2 Estados Unidos – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  4. 18 de junho – Inglaterra 0 x 0 Argélia – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  5. 23 de junho – Estados Unidos 1 x 0 Argélia – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  6. 23 de junho – Eslovênia 0 x 1 Inglaterra – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)

Primeira fase – Grupo D

Considerada uma chave muito física e equilibrada, apresentou a força e a renovação técnica do jovem elenco da Alemanha, que liderou o grupo com autoridade. A valente seleção de Gana suportou a pressão europeia e garantiu a segunda colocação nos critérios técnicos, assegurando a festa do continente africano nos gramados de Joanesburgo.

  • 13 de junho – Sérvia 0 x 1 Gana – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  • 13 de junho – Alemanha 4 x 0 Austrália – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  • 18 de junho – Alemanha 0 x 1 Sérvia – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  • 19 de junho – Gana 1 x 1 Austrália – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  • 23 de junho – Gana 0 x 1 Alemanha – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  • 23 de junho – Austrália 2 x 1 Sérvia – Estádio Mbombela (Nelspruit)

Primeira fase – Grupo E

A chave disputada em solo africano ficou marcada pela excelente demonstração de força coletiva e organização tática da Holanda, que sobrou na liderança com 100% de aproveitamento. O Japão surpreendeu os prognósticos europeus ao praticar um futebol extremamente veloz e eficiente na bola parada, batendo a Dinamarca na rodada final para carimbar a segunda vaga.

  1. 14 de junho – Holanda 2 x 0 Dinamarca – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  2. 14 de junho – Japão 1 x 0 Camarões – Estádio Free State (Bloemfontein)
  3. 19 de junho – Holanda 1 x 0 Japão – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  4. 19 de junho – Camarões 1 x 2 Dinamarca – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  5. 24 de junho – Dinamarca 1 x 3 Japão – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  6. 24 de junho – Camarões 1 x 2 Holanda – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)

Primeira fase – Grupo F

Este grupo da Copa do Mundo protagonizou um dos maiores vexames da história moderna da competição, registrando a queda precoce da atual campeã Itália na lanterna da chave. O Paraguai exibiu enorme consistência defensiva para assegurar a liderança isolada e invicta. A surpreendente Eslováquia carimbou a segunda vaga ao bater os italianos, enquanto a Nova Zelândia despedia-se invicta com três empates.

  1. 14 de junho – Itália 1 x 1 Paraguai – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  2. 15 de junho – Nova Zelândia 1 x 1 Eslováquia – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  3. 20 de junho – Eslováquia 0 x 2 Paraguai – Estádio Free State (Bloemfontein)
  4. 20 de junho – Itália 1 x 1 Nova Zelândia – Estádio Mbombela (Nelspruit)
  5. 24 de junho – Eslováquia 3 x 2 Itália – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  6. 24 de junho – Paraguai 0 x 0 Nova Zelândia – Estádio Peter Mokaba (Polokwane)

Primeira fase – Grupo G

O grupo da Seleção Brasileira registrou uma classificação segura e invicta da Amarelinha em termos de pontos, batendo a Coreia do Norte e a Costa do Marfim com autoridade. O Brasil avançou na liderança isolada da chave, acompanhado pela forte e física seleção de Portugal, que garantiu a segunda colocação após aplicar uma goleada sonora de 7 a 0 sobre os norte-coreanos.

  • 15 de junho – Costa do Marfim 0 x 0 Portugal – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  • 15 de junho – Brasil 2 x 1 Coreia do Norte – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  • 20 de junho – Brasil 3 x 1 Costa do Marfim – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  • 21 de junho – Portugal 7 x 0 Coreia do Norte – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  • 25 de junho – Portugal 0 x 0 Brasil – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  • 25 de junho – Coreia do Norte 0 x 3 Costa do Marfim – Estádio Mbombela (Nelspruit)

Primeira fase – Grupo H

A chave marcou o início da arrancada histórica da futura campeã mundial, que precisou superar um tropeço chocante diante da Suíça na estreia para se reestruturar. A Espanha confirmou a liderança nos critérios técnicos jogando o seu futebol de muita posse de bola. O Chile, dirigido por Marcelo Bielsa, apresentou um ritmo vertical e asfixiante para carimbar a segunda vaga.

  • 16 de junho – Honduras 0 x 1 Chile – Estádio Mbombela (Nelspruit)
  • 16 de junho – Espanha 0 x 1 Suíça – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  • 21 de junho – Chile 1 x 0 Suíça – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  • 21 de junho – Espanha 2 x 0 Honduras – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  • 25 de junho – Espanha 2 x 1 Chile – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  • 25 de junho – Suíça 0 x 0 Honduras – Estádio Free State (Bloemfontein)

Oitavas de final da Copa do Mundo de 2010

O início do mata-mata eliminatório elevou a voltagem dramática com erros históricos de arbitragem e clássicos gigantescos. A Alemanha atropelou a Inglaterra em um jogo marcado pelo gol legítimo não validado de Frank Lampard, enquanto a Argentina despachava o México. O Brasil avançou sem sustos ao golear o Chile por 3 a 0 com grande atuação coletiva em Joanesburgo.

  1. 26 de junho – Uruguai 2 x 1 Coreia do Sul – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  2. 26 de junho – Estados Unidos 1 x 2 Gana (Prorrogação) – Estádio Royal Bafokeng (Rustenburgo)
  3. 27 de junho – Alemanha 4 x 1 Inglaterra – Estádio Free State (Bloemfontein)
  4. 27 de junho – Argentina 3 x 1 México – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  5. 28 de junho – Holanda 2 x 1 Eslováquia – Estádio Moses Mabhida (Durban)
  6. 28 de junho – Brasil 3 x 0 Chile – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)
  7. 29 de junho – Paraguai 0 x 0 Japão (5 x 3 nos pênaltis) – Estádio Loftus Versfeld (Pretória)
  8. 29 de junho – Espanha 1 x 0 Portugal – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)

Quartas de final da Copa do Mundo de 2010

As quartas de final entraram para a antologia do esporte com desfechos dramáticos e o fim do sonho brasileiro. O Brasil abriu o placar contra a Holanda, mas sofreu um apagão técnico e emocional no segundo tempo, sofrendo a virada por 2 a 1. Na partida mais insana daquela edição, Luis Suárez salvou o Uruguai com a mão na linha no último segundo; Gana perdeu o pênalti e caiu nas penalidades.

  1. 2 de julho – Holanda 2 x 1 Brasil – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)
  2. 2 de julho – Uruguai 1 x 1 Gana (4 x 2 nos pênaltis) – Estádio Soccer City (Joanesburgo)
  3. 3 de julho – Argentina 0 x 4 Alemanha – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  4. 3 de julho – Paraguai 0 x 1 Espanha – Estádio Ellis Park (Joanesburgo)

Semifinais da Copa do Mundo de 2010

As semifinais colocaram frente a frente a consistência das potências europeias em duelos de altíssima exigência tática. A Holanda superou a brava resistência do Uruguai em um jogo movimentado de cinco gols na Cidade do Cabo. Na reedição da final da Eurocopa, a Espanha anulou completamente o ataque da Alemanha e garantiu a vaga inédita com uma cabeçada potente do zagueiro Carles Puyol.

  1. 6 de julho – Uruguai 2 x 3 Holanda – Estádio Green Point (Cidade do Cabo)
  2. 7 de julho – Alemanha 0 x 1 Espanha – Estádio Moses Mabhida (Durban)

Disputa do terceiro lugar

O confronto de consolação transformou-se em um festival ofensivo e aberto entre duas equipes que orgulharam seus torcedores ao longo do mês. Alemanha e Uruguai travaram um duelo elétrico sob a chuva em Porto Elizabeth. Demonstrando enorme brio e contando com a estrela do jovem Thomas Müller, a seleção alemã garantiu o triunfo por 3 a 2 para assegurar a medalha de bronze.

  • 10 de julho – Uruguai 2 x 3 Alemanha – Estádio Nelson Mandela Bay (Porto Elizabeth)

Final da Copa do Mundo de 2010

A grande e aguardada decisão da Copa do Mundo de 2010 reuniu duas seleções que buscavam uma estrela totalmente inédita em suas histórias: Espanha e Holanda. O Estádio Soccer City, em Joanesburgo, recebeu mais de 84 mil espectadores inflamados sob uma atmosfera de imensa eletricidade. O confronto correspondeu à tensão monumental dos bastidores, transformando-se em um embate truncado, nervoso e marcado pela forte imposição física da Holanda, que tentou quebrar o ritmo técnico espanhol com faltas duras (gerando um recorde de cartões amarelos em finais). Na etapa complementar, o atacante holandês Arjen Robben teve duas chances claras e isoladas na cara do gol, mas parou em intervenções milagrosas e históricas com os pés do goleiro Iker Casillas, mantendo o placar zerado e arrastando o drama para a prorrogação.

No tempo extra, o desgaste físico extremo abriu espaços no gramado sul-africano e a expulsão do holandês John Heitinga desestabilizou a retaguarda europeia. Quando a disputa por pênaltis parecia inevitável, a estrela do meio-campista Andrés Iniesta brilhou para decidir o destino do planeta futebol aos onze minutos do segundo tempo suplementar. Após receber um passe cirúrgico de Cesc Fàbregas dentro da área, Iniesta dominou com categoria e soltou um petardo cruzado de perna direita para vencer o goleiro Maarten Stekelenburg.

Na comemoração, o camisa 6 tirou a camisa para exibir uma mensagem histórica em homenagem ao amigo falecido Dani Jarque, explodindo as lágrimas e a alegria de todo o seu país. O placar de 1 a 0 consagrou a Espanha como a nova e oitava campeã do mundo.

  1. 11 de julho – Holanda 0 x 1 Espanha (Prorrogação) – Estádio Soccer City (Joanesburgo)

Classificação final da Copa do Mundo de 2010

Abaixo, confira a tabela de classificação final do torneio de 2010, estruturada oficialmente pela FIFA com base na fase alcançada, pontos acumulados e saldo de gols das nações:

  1. Espanha (Campeã)
  2. Holanda (Vice-campeã)
  3. Alemanha
  4. Uruguai
  5. Argentina
  6. Brasil
  7. Gana
  8. Paraguai
  9. Japão
  10. Chile
  11. Portugal
  12. Estados Unidos
  13. Inglaterra
  14. México
  15. Coreia do Sul
  16. Eslováquia
  17. Costa do Marfim
  18. Eslovênia
  19. Suíça
  20. África do Sul
  21. Austrália
  22. Nova Zelândia
  23. Sérvia
  24. Dinamarca
  25. Grécia
  26. Itália
  27. Nigéria
  28. Argélia
  29. França
  30. Honduras
  31. Camarões
  32. Coreia do Norte

Informações do Lance