A Argentina desafia um tabu de 64 anos e mira o bicampeonato consecutivo da Copa do Mundo após avançar à semifinal do torneio de 2026. Até hoje, apenas Itália e Brasil conseguiram conquistar dois Mundiais seguidos, e nenhuma seleção repete a façanha desde o título brasileiro de 1962. A informação foi destacada em reportagem do jornalista Marcelo Belpiede, publicada pelo Portal Uol.

A atual campeã mundial ficou a duas vitórias de encerrar a longa sequência depois de derrotar a Suíça por 3 a 1, na prorrogação, em Kansas City. O resultado garantiu à equipe comandada por Lionel Scaloni uma vaga na semifinal contra a Inglaterra, marcada para quarta-feira (15), às 16h, no horário de Brasília, em Atlanta. A outra semifinal será disputada por Espanha e França na terça-feira (14).

A classificação argentina voltou a colocar em evidência uma das marcas mais resistentes da história da Copa. Desde que o Brasil venceu o Mundial de 1962, no Chile, todos os campeões foram sucedidos por uma seleção diferente na edição seguinte. A Argentina, vencedora no Catar em 2022, precisa superar a Inglaterra e depois ganhar a decisão para se tornar a primeira equipe em mais de seis décadas a defender com sucesso o título.

Argentina supera a Suíça na prorrogação

A seleção argentina chegou à semifinal depois de mais uma partida marcada por dificuldades no mata-mata. Alexis Mac Allister abriu o placar aos nove minutos do primeiro tempo, após cobrança de escanteio de Lionel Messi. Com a vantagem, a equipe recuou e permitiu que a Suíça assumisse o controle de parte do confronto.

A pressão europeia resultou no empate de Dan Ndoye, aos 21 minutos da etapa final. Pouco depois, Breel Embolo recebeu o segundo cartão amarelo por simulação, após revisão do árbitro de vídeo, e deixou a Suíça com um jogador a menos.

Apesar da superioridade numérica, a Argentina não conseguiu resolver a partida durante o tempo regulamentar. A vitória foi construída na prorrogação, quando Julián Álvarez acertou um chute no ângulo após passe de Flaco López. Nos acréscimos, Lautaro Martínez aproveitou um contra-ataque e definiu o placar de 3 a 1.

Messi participou diretamente do primeiro gol, mas teve uma atuação menos decisiva do que nas partidas anteriores. O camisa 10 desperdiçou oportunidades no segundo tempo, mas chegou a oito gols no Mundial de 2026 e permaneceu entre os principais artilheiros da competição.

Antes de enfrentar a Suíça, a Argentina também havia passado por Cabo Verde e Egito em confrontos equilibrados na fase eliminatória. Mesmo sem apresentar domínio constante, a seleção manteve viva a possibilidade de conquistar a quarta estrela e igualar Itália e Alemanha no número de títulos mundiais.

Itália inaugurou a era dos títulos consecutivos

O primeiro bicampeonato seguido da história da Copa do Mundo foi conquistado pela Itália. A seleção europeia venceu o torneio de 1934, disputado em território italiano, e manteve o título quatro anos depois, na França.

O Brasil tornou-se a segunda — e até agora última — seleção a conseguir a façanha. Depois de conquistar sua primeira Copa em 1958, na Suécia, a equipe brasileira voltou ao topo em 1962, no Chile. Mesmo sem Pelé durante grande parte da competição, após uma lesão sofrida ainda na fase inicial, a seleção liderada por Garrincha manteve a hegemonia mundial.

Desde então, o troféu mudou de mãos em todas as edições. A Inglaterra foi campeã em 1966, seguida pelo Brasil em 1970, Alemanha Ocidental em 1974 e Argentina em 1978. Na década seguinte, Itália, Argentina e Alemanha dividiram os títulos.

O Brasil voltou a vencer em 1994, nos Estados Unidos, mas perdeu a decisão seguinte para a França. Já no século 21, a seleção brasileira conquistou o pentacampeonato em 2002. Itália, Espanha, Alemanha e França venceram as quatro edições posteriores, até que a Argentina recuperou o título em 2022, no Catar.

Três campeões chegaram perto de repetir o título

Durante os 64 anos transcorridos desde o bicampeonato brasileiro, três seleções conseguiram voltar à final imediatamente após conquistar a Copa. Nenhuma delas, porém, venceu a segunda decisão.

A primeira tentativa foi justamente da Argentina. Campeã em 1986, no México, a equipe liderada por Diego Maradona reencontrou a Alemanha na final de 1990. Desta vez, os alemães venceram por 1 a 0 e impediram o bicampeonato argentino.

O Brasil teve a mesma oportunidade em 1998. Após conquistar o tetracampeonato em 1994, a seleção chegou à final disputada em Paris, mas foi derrotada pela França por 3 a 0.

O caso mais recente ocorreu em 2022. Campeã na Rússia, quatro anos antes, a França voltou à decisão e enfrentou a Argentina. Após empate por 3 a 3, os argentinos venceram nos pênaltis e conquistaram o terceiro título de sua história.

Argentina pode alcançar outra marca histórica

Além da busca pelo bicampeonato consecutivo, a Argentina tenta alcançar seu quarto título mundial. Uma nova conquista colocaria o país no mesmo patamar de Itália e Alemanha, ambas tetracampeãs, atrás apenas do Brasil, dono de cinco troféus.

A campanha também pode inserir a atual geração argentina em uma lista ainda mais restrita. A Alemanha disputou três finais consecutivas entre 1982 e 1990, com dois vice-campeonatos e um título. O Brasil repetiu a sequência entre 1994 e 2002, quando venceu duas decisões e perdeu uma.

Para manter aberta a possibilidade de repetir o feito brasileiro de 1962, a Argentina terá primeiro de eliminar a Inglaterra. Em caso de classificação, a seleção enfrentará Espanha ou França na decisão e ficará a uma vitória de encerrar o mais longo período sem bicampeões consecutivos da história da Copa do Mundo.

Brasil de 1962

A Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1962 contou com um elenco forte da defesa ao ataque e confirmou sua superioridade ao conquistar o segundo título mundial consecutivo. Segundo levantamento da ESPN, o grupo comandado pelo técnico Aymoré Moreira reuniu nomes históricos do futebol brasileiro e terminou a competição com cinco vitórias e um empate.

No gol, o Brasil levou Gilmar, do Santos, e Castilho, do Fluminense. Para as laterais, Aymoré Moreira convocou Djalma Santos, do Palmeiras, Nílton Santos, do Botafogo, além de Jair Marinho e Altair, ambos do Fluminense.

O setor defensivo ainda contou com quatro zagueiros: Mauro, do Santos; Bellini e Jurandir, do São Paulo; e Zózimo, do Bangu.

No meio-campo, a comissão técnica escolheu Zito e Mengálvio, do Santos, Didi, do Botafogo, e Zequinha, do Palmeiras. O quarteto dava à equipe capacidade de marcação, organização e construção ofensiva.

O ataque concentrou alguns dos principais talentos daquela geração. Garrincha e Zagallo representavam o Botafogo; Vavá defendia o Palmeiras; Pelé, Coutinho e Pepe pertenciam ao Santos; Jair da Costa atuava pela Portuguesa de Desportos; e Amarildo também jogava no Botafogo.

Campanha

O Brasil estreou na Copa com uma vitória por 2 a 0 sobre o México. Zagallo e Pelé marcaram os gols da partida.

Na segunda rodada, a equipe brasileira empatou por 0 a 0 com a Tchecoslováquia. O jogo ficou marcado pela lesão de Pelé, que não voltou a atuar no restante do torneio.

Diante da Espanha, Amarildo assumiu papel decisivo. O atacante marcou duas vezes na vitória brasileira por 2 a 1. Rodríguez fez o gol espanhol.

Nas quartas de final, o Brasil superou a Inglaterra por 3 a 1. Garrincha marcou dois gols, e Vavá completou o placar. Hitchens descontou para os ingleses.

A semifinal colocou a Seleção diante do Chile, anfitrião da Copa. O Brasil venceu por 4 a 2, com dois gols de Garrincha e dois de Vavá. Toro e Sánchez marcaram para os chilenos.

Na decisão, o Brasil voltou a enfrentar a Tchecoslováquia. A equipe europeia abriu o placar com Masopust, mas Amarildo, Zito e Vavá garantiram a virada por 3 a 1 e confirmaram o bicampeonato mundial da Seleção Brasileira.

Informações do 247