Desde a última sexta-feira (10), a ASSUEL (Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Estadual de Londrina) conta com nova diretoria, liderada por Adão Brasilino.
Fisioterapeuta e advogado, é a segunda vez que Adão assume a presidência da entidade. Neste novo mandato, a liderança ressalta que as prioridades serão a luta contra as terceirizações e a realização de concursos públicos.
“É um prazer imenso voltar a representar a categoria de trabalhadores da Universidade. Farei o possível para que o servidor tenha seu quadro de carreira valorizado e saia deste processo terrível de precarização no trabalho”, relata.
“Neste período que fiquei fora do Sindicato, eu me capacitei não só como advogado, mas no cenário de representação de trabalhadores dentro da Universidade. Estou pronto para lutar pelos direitos dos técnicos da UEL”, ele acrescenta.
Desde 2010, Marcelo Seabra esteve à frente do Sindicato. Ele lembra que, a gestão que era para ser de um ano acabou se estendendo pelas eleições seguintes. “Já se vão 16 anos que estamos à frente do Sindicato, atuando na presidência ou como diretor”, assinala.
Em mais de uma década de gestão, Marcelo compartilha que o momento mais marcante foi o Massacre do Centro Cívico. Em 29 de abril de 2015, em Curitiba, a Polícia Militar reprimiu violentamente cerca de 40 mil manifestantes, a maioria servidores e estudantes. O ataque deixou mais de 200 pessoas feridas. O protesto repudiava projeto de lei proposto pelo, então governador Beto Richa (PSDB), que alterava o custeio do Paraná Previdência.
“Foi um momento muito expressivo da luta que resultou na queda da popularidade do governador Beto Richa, pois as imagens foram reproduzidas em todo o país. Posteriormente conseguimos reposição salarial que foi concedida e deveria ser estendida até 2017, no entanto, o governo não cumpriu o acordo e só pagou a reposição em 2015 e 2016. Contudo, foi uma luta importante porque mostrou a cara do governo de Beto Richa que se mostrava totalmente contrário aos interesses dos servidores”, indica.
Falta de concursos afeta a base
Para Marcelo, uma das grandes diferenças que observa na atual composição do Sindicato em comparação a quando assumiu, é a diminuição do número de filiados. Para ele, este é um reflexo da falta de renovação do quadro via concursos públicos.
“Houve uma redução muito grande no número de filiados, causado principalmente por causa das aposentadorias. Isso tem dificultado o trabalho do Sindicato que tem enfrentado dificuldades para honrar os compromissos financeiros”, adverte.
“Temos desafios que enfrentamos nos anos anteriores que persistem até hoje, como por exemplo, as inúmeras tentativas do governo em acabar com o serviço público. Essa é uma luta que vai persistir e o Sindicato vai continuar enfrentando”, acrescenta Marcelo.
Saúde do trabalhador e reformulação das carreiras
Segundo Adão, entre as principais demandas estão ações que promovam a saúde mental nos locais de trabalho e a garantia de um atendimento humanizado e de qualidade no SAS (Sistema de Assistência à Saúde).
Conforme informado pelo Portal Verdade, desde fevereiro deste ano, o atendimento do SAS em Londrina, migrou da Santa Casa para o Hospital Evangélico. A mudança é criticada pelos servidores, que apontam diversas dificuldades como a falta de informações, demora no agendamento com especialistas, desmarque de consultas em cima da hora, cobrança de exames e outros procedimentos (saiba mais aqui).
Outra reivindicação, aponta Adão, são reformulações nos planos de carreiras. “No caso dos agentes universitários é preciso fazer uma adequação urgente no quadro de carreira, pois existem servidores que ainda têm 20 anos de trabalho pela frente e o serviço deles está sendo terceirizado, por isso precisam de um quadro de carreira forte para que fiquem protegidos em termos de salário e qualidade de trabalho”, diz.
De acordo com ele, entre agentes com nível superior, as contratações intermitentes também têm avançado. “Já os servidores que têm curso superior também precisam de atenção porque muitos estão sendo substituídos por pessoas jurídicas (PJ) por isso a volta da realização de concursos públicos será uma luta constante, além do enfrentamento contra as terceirizações que tem ameaçado a carreira dos servidores”, afirma.
Lotado no HU (Hospital Universitário), Adão destaca que a unidade também tem sofrido pela falta de servidores efetivos. Devido ao déficit de trabalhadores, atualmente, o Hospital possui aproximadamente 1 mil funcionários terceirizados – entre médicos, enfermeiros, seguranças, copa e limpeza.
“O HU precisa voltar a ter profissionais concursados para melhorar a qualidade no atendimento, porque do jeito que está precarizado, a população é quem mais sofre. O primeiro passo é abrir o diálogo direto com o governo para sensibilizar e mostrar as dificuldades que temos enfrentado na ponta”, observa.
Na avaliação do sindicalista, é urgente rever o sucateamento das instituições de ensino superior estaduais. “Precisamos de um programa de governo para atender as universidades para que não sejam mais precarizadas, mas que sejam espaços públicos, gratuitos e de qualidade”, pontua.
Face ao ano eleitoral, Adão considera fundamental que a população conheça os programas de governo dos candidatos, principalmente, no que diz respeito às propostas para o fortalecimento dos serviços públicos e do funcionalismo.
“Antes de ser eleito, o Ratinho Junior disse que seria um portal voz do povo por meio dos sindicatos e após a eleição mudou o discurso dizendo que não conversaria com sindicalistas, deixando a população entender de que nós que somos mentirosos, descredibilizando os sindicatos. Por isso que, na hora do voto, devemos pesquisar bem e escolher candidatos que pensam na carreira dos servidores e valorizem os trabalhadores”, sustenta.
“O que temos visto nos últimos tempos são tentativas de desmonte do serviço público onde os governos fazem campanhas para desmoralizar os servidores diante da população. Isso tem prejudicado o apoio da sociedade ao serviço público, por isso teremos de criar estratégias para resgatar a imagem do servidor público mostrando a importância do trabalho dos servidores para a população e na medida do possível tentar barrar os processos de privatização. Para isso precisamos de um governo que valorize a categoria”, concorda Marcelo.
Coletivo de Sindicatos
Marcelo recorda o protagonismo da ASSUEL na formação do Coletivo de Sindicatos, grupo que atualmente reúne diferentes categorias de trabalhadores das iniciativas pública e privada.
“O Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região nasceu a partir de uma iniciativa da ASSUEL que percebeu a necessidade de unificar as lutas, tanto dos servidores municipais, estaduais e federais”, relembra.
O Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região, surgiu em 2017 com o principal objetivo de unificar as entidades sindicais e movimentos sociais na resistência às Reformas Trabalhista e da Previdência.
“Houve uma intensificação do governo em todas as esferas de privatizar os serviços públicos e consequentemente acabar com o serviço público. Nesta época existiam projetos, no âmbito privado, que tentavam sucatear os direitos dos trabalhadores de um modo geral, como acabar com as férias, 13º salário, entre outros direitos. Tudo isso ajudou a unificar a luta e foi por meio dessa união que o Coletivo realizou protestos importantes contra as Reformas Trabalhista e da Previdência levando milhares pessoas para as ruas, dando visibilidade para o Coletivo”, pontua.
Para Marcelo, um dos grandes diferenciais do Coletivo são seus veículos de comunicação: programa Aroeira, veiculado semanalmente na Rádio UEL FM, e Portal Verdade.
“São veículos de comunicação que atendem, sobretudo, os sindicatos que fazem parte do Coletivo e os movimentos sociais. São instrumentos indispensáveis para que possamos atingir nossos objetivos em defesa da classe trabalhadora”, reflete.
Entre os recados para a categoria, Marcelo ressalta que toda a luta foi motivada pela manutenção e ampliação de direitos. “Eu espero que fique para a categoria que, embora a gente não tenha alcançado todos os objetivos, sempre procuramos lutar pelo melhor para os técnicos administrativos, com a preocupação de não trazer prejuízos, como por exemplo, durante as greves não terem os dias descontados”, sinaliza.
Entre as principais conquistas, Marcelo cita a apresentação da nova tabela salarial dos agentes operacionais.
“Eu espero que a categoria veja o nosso trabalho como tendo sido de esforço sincero, e mesmo não tendo conseguido tudo, fizemos o melhor possível para atendê-la”, finaliza Marcelo. Informações do portal Verdade



