O Republicanos confirmou neste sábado (25) a candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Durante a convenção estadual da legenda, o ex-governador apresentou o coronel Venâncio Moura como candidato a vice e fez acusações contra a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sem apresentar provas.
Segundo o jornal Valor Econômico, o evento ocorreu em um clube na zona norte da capital fluminense e também oficializou as candidaturas de Marcelo Crivella e Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, ao Senado. A programação, inicialmente marcada para o meio-dia, começou oficialmente por volta das 14h35.
Em seu discurso, Garotinho associou a retomada da carreira eleitoral à ideia de esperança e afirmou que havia sido convencido por Waguinho e pela deputada federal Daniela Carneiro, a Daniela do Waguinho, a voltar às urnas.
“Vocês pensaram que eu havia morrido, mas estou aqui e enquanto houver esperança o sonho não acabou”, declarou.
Ao agradecer ao ex-prefeito de Belford Roxo, Garotinho disse que não pretendia concorrer novamente. “Vocês me tiraram de casa eu não queria ser mais candidato. Então tudo que eu fizer ainda estarei devendo a você e à sua família”, afirmou.
O ex-governador também agradeceu a representantes de outras siglas presentes na convenção, entre elas Avante, PSB e PL. Ao comentar a emoção de disputar pela quarta vez o comando do Executivo fluminense, cantou um trecho de “Emoções”, de Roberto Carlos: “Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo.”
Garotinho ataca a Alerj e adversários
A parte mais contundente do pronunciamento foi dirigida à política estadual. Garotinho afirmou que o Rio de Janeiro teria três grupos criminosos: os ligados ao tráfico de drogas, às milícias e “os da Alerj”. Ele não identificou parlamentares, especificou eventuais crimes nem apresentou elementos que sustentassem a acusação.
O candidato também atacou integrantes dos Executivos estadual e municipal sem mencionar nomes. Segundo ele, existe “de um lado governo desmoralizado cujo governador renunciou para não ser cassado, mas não vai escapar da prisão; e, do outro, um prefeito ligado a milícia”.
Novamente, Garotinho não detalhou a quem se referia nem mostrou provas das afirmações. No restante do discurso, prometeu priorizar melhorias nas áreas de saúde e segurança pública caso seja eleito. Encerrou a participação citando Gonzaguinha: “viver, e não ter a vergonha de ser feliz.”
Decisão do STF restabeleceu elegibilidade
A candidatura tornou-se possível depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou, em março, a condenação de Garotinho na Operação Chequinho. A investigação tratava de supostos crimes eleitorais cometidos em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.
Com a anulação integral da sentença, Garotinho recuperou seus direitos políticos. Ele governou o Estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, quando deixou o cargo para disputar a Presidência da República.
O candidato a vice, coronel Venâncio Moura, tem passagem pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio.
Crivella e Waguinho concorrerão ao Senado
A convenção também confirmou Marcelo Crivella e Waguinho como os dois candidatos do Republicanos ao Senado pelo Rio de Janeiro. Ex-prefeito da capital e atual deputado federal, Crivella discursou com uma bandeira do Brasil e apresentou-se como alvo de perseguição política.
“Em 24 anos aprendemos o preço que se paga quando coloca o povo em primeiro lugar no coração da gente. É perseguição, é luta. São processos. A família sofre, os filhos, a esposa”, disse. Em seguida, acrescentou: “Agora eu quero dizer uma coisa para vocês: nada nos venceu”.
Evangélico, Crivella convidou católicos, evangélicos e seguidores de outras religiões a participarem de sua campanha. No encerramento, conduziu a plateia na oração do Pai-Nosso.
Crivella está elegível por força de uma decisão provisória que suspendeu os efeitos de uma condenação aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Em outubro de 2024, ele foi condenado por abuso de poder político e econômico em um processo relacionado ao caso conhecido como “QG da Propina”.
De acordo com investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), empresários teriam realizado pagamentos para obter contratos e receber valores devidos pela prefeitura durante a gestão de Crivella. A suspensão da condenação ainda não representa uma decisão definitiva sobre o processo.
Waguinho exalta chapa do Republicanos
Ex-prefeito de Belford Roxo por dois mandatos, Waguinho agradeceu ao presidente estadual do Republicanos, Luiz Carlos Gomes, pela articulação de sua candidatura. “Obrigada presidente por unir pessoas com compromisso com o Estado do Rio de janeiro e com o Brasil”, declarou.
Waguinho também elogiou Crivella, a quem chamou de “um grande guerreiro que enfrentou poderosos”, e defendeu os nomes apresentados na convenção. “A solução para todos os problemas que enfrentamos no Estado do Rio está aqui nesse palco”, afirmou.
Em 2025, Waguinho foi investigado pela Polícia Federal na Operação Errata, que apura suspeitas de desvios milionários em compras de livros didáticos para a rede pública de Belford Roxo. Os contratos investigados foram assinados entre 2017 e 2024, período em que ele comandou a prefeitura.
Daniela do Waguinho, ex-ministra do Turismo do governo Lula, concentrou seu discurso na participação feminina na política. “Quero saudar a ‘força da mulherada’. Somos 52% da população brasileira”, afirmou.
“Mulherada ergue a cabeça, vocês são virtuosas e precisam ocupar espaço de decisão. Precisamos estar atentas a toda pauta voltada para mulher porque o político que cuida da mulher cuida da família toda”, acrescentou.
A deputada também classificou Garotinho como “um homem sério que fez muito pelo nosso estado do Rio de Janeiro”. Durante o encontro, apoiadores exibiram bandeiras que reuniam imagens do candidato ao governo com Waguinho e Daniela.
As convenções estaduais dos partidos prosseguem até o início de agosto. As legendas terão até 15 de agosto para solicitar à Justiça Eleitoral o registro das candidaturas que disputarão as eleições de 2026.



