A eleição que renovará dois terços do Senado também poderá devolver à Casa política que já ocuparam suas cadeiras. Ao menos 20 ex-senadores tiveram candidatura homologada, assumiram a condição de pré-candidatos ou aguardam a definição das alianças estaduais para entrar na disputa de outubro. A lista inclui nomes conhecidos nacionalmente como Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Roseana Sarney (MDB), Marcelo Crivella (Republicanos), Gleisi Hoffmann (PT) e Álvaro Dias (MDB).
Das 81 cadeiras, 54 serão oferecidas em jogo. Cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes para mandatos de oito anos, o que permitirá ao eleitor votar em dois candidatos. O terço restante, escolhido em 2022, não permanecerá com carga até 2031.
O tamanho da renovação passou a ser a eleição para o Senado prioridade do governo e oposição. Além de votar projetos e mudanças na Constituição, a Casa aprova a prescrição para o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República, o Banco Central e embaixadores. Também julga processos de impeachment contra presidentes da República e ministros do STF.
Para os ex-senadores, a volta reúne poder político, estabilidade e projeção nacional. O mandato de oito anos oferece mais segurança eleitoral do que os quatro anos da Câmara, e o Plenário de apenas 81 membros amplia o peso de cada parlamentar. O cargo ainda pode servir de plataforma para futuras candidaturas a governos estaduais ou à Presidência da República.
Dos 20 nomes identificados pelo Congresso em Foco , nove já foram escolhidos em convenções, seis se apresentam como pré-candidatos e cinco ainda avaliam as previsões eleitorais ou negociam espaço nas chapas. O cenário permanecerá aberto até 5 de agosto, prazo final para partidos e federações realizarem suas convenções. Os pedidos de registro deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
A relação inclui oito deputados federais da atual legislatura. Além de Crivella, Roseana, Gleisi e Marina, José Medeiros (PL-MT), Benedita da Silva (PT-RJ), Eunício Oliveira (MDB-CE) e Aécio Neves (PSDB-MG) podem trocar a Câmara pelo Senado em 2027. Aécio é o único desse grupo que ainda não definirá se tentará renovar o mandato de deputado ou concorrerá ao senador.
Mudança de partido e de Estado
Duas das candidaturas mais simbólicas são de ex-senadoras que tentarão voltar à Casa por estados diferentes daqueles que representaram.
Simone Tebet foi senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023, então pelo MDB. Agora filiado ao PSB, concorrerá por São Paulo na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT), candidato ao governo estadual, e Márcio França (PSB), escolhido como vice.
A ex-ministra do Planejamento transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo e disputará pela primeira vez um mandato no maior colégio eleitoral do país. Sua candidatura foi oficializada pela aliança paulista em convenção realizada em 25 de julho.
Marina Silva também buscará uma das vagas paulistas. Eleita deputada federal por São Paulo em 2022, representou o Acre no Senado por dois mandatos consecutivos, de 1995 a 2011. Foi eleita nas graças duas pelo PT, legenda que saiu em 2009, durante seu segundo mandato após divergências internacionais. A ex-ministra do Meio Ambiente concorrerá ao lado de Simone na chapa de Haddad.
Roseana volta após tratamento
No Maranhão, Roseana Sarney confirmou uma tentativa de retorno ao Senado após concluir recentemente o tratamento contra um câncer de mama triplo-negativo. A doença havia colocado em dúvida sua participação nas eleições, mas a deputada federal decidiu concorrer e teve o nome homologado pelo MDB.
“Em qualquer idade você pode sonhar, você pode recomeçar. Estou recomeçando agora como se fosse minha primeira campanha”, afirmou Roseana durante convenção realizada no sábado (25).
Filha do ex-presidente José Sarney, ela foi senadora de 2003 a 2009. Deixou o mandato antes do fim para assumir pela segunda vez o governo do Maranhão. Agora, concorrerá ao lado do senador Weverton Rocha (PDT), também candidato pela aliança encabeçada por Orleans Brandão (MDB).
Nove anos já homologados
Além de Simone Tebet, Marina Silva e Roseana Sarney, outros seis ex-senadores já foram escolhidos em convenções:
- Acir Gurgacz (PDT-RO) — representou Rondônia de 2009 a 2023, em dois mandatos. Seu nome foi aprovado por aclamação na convenção estadual do PDT.
- Eduardo Amorim (Republicanos-SE) — ocupou uma cadeira por Sergipe de 2011 a 2019. A candidatura foi homologada na convenção conjunta de Republicanos e Avante.
- Gleisi Hoffmann (PT-PR) — representou o Paraná de 2011 a 2019. Atual deputada federal, foi escolhida para disputar uma das duas vagas pela Federação Brasil da Esperança.
- José Medeiros (PL-MT) — exerceu o mandato por Mato Grosso de 2015 a 2019, após Pedro Taques deixar a cadeira para assumir o governo estadual. Foi homologado pelo PL.
- Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) — esteve no Senado de 2003 a 2016. Deixou o mandato após ser eleito prefeito do Rio e teve agora a candidatura oficializada pelos Republicanos.
- Renato Casagrande (PSB-ES) — ocupou uma vaga pelo Espírito Santo de 2007 a 2010, antes de assumir pela primeira vez o governo capixaba. A convenção do PSB confirmou sua candidatura
Seis aguardam as seguintes
Outros seis nomes assumiram publicamente a condição de pré-candidatos, mas ainda dependentes da formalização partidária ou da composição final das alianças estaduais:
- Benedita da Silva (PT-RJ) — uma das duas primeiras mulheres negras eleitas para o Senado, ao lado de Marina, exerceu o mandato de 1995 a 1998. Deixou a Casa para assumir a vice-governadoria do Rio. Em 2002, assumiu o governo estadual. É deputada federal desde 2011.
- Eunício Oliveira (MDB-CE) — foi senador pelo Ceará de 2011 a 2019 e presidiu a Casa nos dois últimos anos do mandato. Atual deputado federal, afirma que pretende concorrer, mas depende da montagem final da chapa governamental.
- João Capiberibe (PSB-AP) — exerceu o mandato em dois períodos, de 2003 a 2005 e de 2011 a 2019. Aceitou a indicação do PSB para disputar novamente.
- Jorge Viana (PT-AC) — representou o Acre de 2011 a 2019. Anunciou a pré-candidatura e percorre o estado em busca de apoio.
- Pedro Taques (PSB-MT) — representou Mato Grosso de 2011 a 2014 e deixou a Casa para assumir o governo estadual. O PSB deverá oficializá-lo na convenção marcada para 30 de julho.
- Rose de Freitas (MDB-ES) — representou o Espírito Santo de 2015 a 2023. É apontada como favorita para ocupar a segunda vaga da chapa governista, mas aguardamos a convenção do MDB.
Cinco ainda avaliam a disputa
Outros cinco ex-senadores apareceram em pesquisas ou nas negociações para a formação das chapas, mas ainda não confirmaram definitivamente a entrada na corrida:
- Aécio Neves (PSDB-MG) — representante de Minas Gerais de 2011 a 2019. Atual deputado federal, disponível para trocar a tentativa de reeleição à Câmara por uma candidatura ao Senado, mas aguarda a definição das alianças estaduais.
- Alvaro Dias (MDB-PR) — esteve no Senado de 1983 a 1987 e, depois, por três mandatos consecutivos, de 1999 a 2023. Líder em pesquisas recentes, condiciona a candidatura à formação de uma aliança competitiva no Paraná. “Só confirmarei no domingo. Faltam alguns detalhes sobre a composição”, disse ele ao Congresso em Foco .
- José Aníbal (PSDB-SP) — exerceu o mandato como suplente de José Serra entre 2016 e 2017 e novamente de 2021 a 2022. É apresentado como pré-candidato, mas aguarda uma decisão da Federação PSDB-Cidadania sobre a chapa majoritária paulista.
- Paulo Hartung (PSD-ES) — ocupou uma cadeira pelo Espírito Santo de 1999 a 2002. Aparece entre os nomes competitivos para o Senado, mas também é cogitado pelo PSD para disputar o governo estadual. Hartung, porém, já admitiu que não pode concorrer este ano.
- Paulo Rocha (PT-PA) — representou o Pará de 2015 a 2023. É uma das opções consideradas pelo PT e por partidos de esquerda, mas ainda não foi lançada formalmente.
O número de ex-senadores na corrida ainda poderá mudar até o fim das convenções. Alguns dos nomes hoje apenas cotados podem entrar efetivamente na disputa; outros poderão concorrer à Câmara, disputar governos estaduais ou permanecer fora das urnas.
O quadro definitivo será formado depois de 5 de agosto, quando o prazo das convenções for encerrado. Até lá, uma renovação de dois terços do Senado conviverá com uma tentativa de retorno de política que já passou pelo plenário da Casa. Informações do Congresso em Foco



