A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) tem impacto na percepção dos brasileiros sobre a Corte. Pesquisa nacional Indexa/Broadcast mostra que 77% dos entrevistados são favoráveis à abertura de processo de impeachment contra ministros envolvidos na crise da Suprema Corte. Desse total, 68% se dizem totalmente a favor e 9% mais favoráveis do que contrários. Apenas 19% se posicionam contra — 15% totalmente e 4% mais contra do que a favor.
O levantamento, realizado pela Indexa Pesquisas em parceria com o Broadcast, serviço de notícias do Grupo Estado, ouviu 2 mil eleitores em todo o país entre os dias 10 e 13 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026.
O interesse pelo episódio é elevado. Mais da metade dos brasileiros, 57%, afirma ter acompanhado o noticiário sobre a crise do STF com muita (35%) ou alguma atenção (22%). Outros 20% apenas ouviram falar sobre o assunto, enquanto 19% dizem não ter ouvido falar.
Entre os entrevistados que acompanharam ou têm alguma informação sobre a crise, o ministro Alexandre de Moraes é apontado por 46% como aquele com maior responsabilidade pelo episódio. André Mendonça aparece em seguida, com 16%, enquanto Dias Toffoli registra 6%, Flávio Dino, 4%, Edson Fachin, 3%, e outro ministro do STF, 2%. Outros 10% afirmam não conhecer suficientemente o assunto, 5% não consideram que exista uma crise e 5% dizem que nenhum deles é responsável.
A percepção sobre a atuação de Alexandre de Moraes também revela diferenças importantes entre os grupos políticos. Para 45% dos entrevistados, o ministro utiliza principalmente critérios políticos para embasar suas decisões no STF. Outros 24% acreditam que ele combina critérios políticos, técnicos e jurídicos, enquanto 16% consideram que suas decisões se baseiam principalmente em critérios técnicos e jurídicos.
Entre lulistas/petistas, 37% consideram que Moraes utiliza principalmente critérios técnicos e jurídicos, contra 23% que apontam critérios políticos. Entre os bolsonaristas, 77% avaliam que predominam critérios políticos.
A avaliação sobre André Mendonça apresenta um quadro diferente. Para 33%, suas decisões são baseadas principalmente em critérios técnicos e jurídicos; 28% apontam critérios políticos e 17% consideram que ele utiliza os dois tipos de critérios. Outros 20% dizem não ter conhecimento suficiente para avaliá-lo.
STF enfrenta déficit de confiança
Os resultados sobre a crise aparecem associados a um quadro de baixa confiança na instituição. Quase metade dos brasileiros, 45%, afirma não confiar no trabalho do STF. Outros 32% confiam um pouco e somente 10% dizem confiar muito. Somadas as duas categorias positivas, o Supremo alcança 42% de confiança, enquanto 8% afirmam não ter conhecimento suficiente para avaliar e 5% não sabem ou não responderam.
Para o CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, os números mostram que a crise ultrapassou o debate restrito ao meio político e passou a afetar a percepção da sociedade sobre o Supremo.
“Quando 45% dos brasileiros dizem não confiar no STF e, ao mesmo tempo, 77% se mostram favoráveis à possibilidade de abertura de processo de impeachment contra ministros envolvidos na crise, temos um sinal importante de desgaste institucional. O dado que mais chama a atenção é que a defesa de mudanças não está restrita a apenas um campo político. Há uma parcela expressiva da sociedade cobrando respostas e discutindo o próprio funcionamento da Corte”, avalia Freres.
A desconfiança é maior entre segmentos identificados com a direita. Entre os entrevistados de direita não bolsonarista, 55% dizem não confiar no STF; entre os bolsonaristas, são 54%. Entre lulistas/petistas, a desconfiança cai para 35%. Nesse grupo, 51% afirmam confiar muito ou um pouco na Corte. Entre os entrevistados que se identificam com a esquerda, mas não como lulistas, 56% declaram algum grau de confiança.
Dois em cada três apoiam mandato com prazo determinado
A pesquisa também mediu a opinião dos brasileiros sobre mudanças na estrutura da Suprema Corte. Dois em cada três entrevistados (66%) são favoráveis à criação de mandato com tempo determinado para ministros do STF. São 58% totalmente favoráveis e 8% mais favoráveis do que contrários. A proposta é rejeitada por 22%: 19% são totalmente contrários e 3% mais contrários do que favoráveis. Outros 12% não souberam ou não responderam.
O apoio à mudança aparece em diferentes segmentos políticos. Entre lulistas/petistas, 54% são totalmente favoráveis ao mandato com prazo determinado. O percentual chega a 61% entre os entrevistados de direita não bolsonarista e fica em 58% entre os bolsonaristas.
Para Arilton Freres, esse resultado amplia a dimensão do debate sobre o Supremo.
“Esse dado aponta para algo que vai além da avaliação deste ou daquele ministro. Dois em cada três brasileiros apoiam uma mudança na forma como o STF está estruturado hoje. É um indicativo de que o debate sobre a Suprema Corte passou a envolver também a discussão sobre suas regras institucionais”, afirma.
Polícia Federal tem confiança de 70%
O cenário é diferente quando a instituição avaliada é a Polícia Federal. Sete em cada dez brasileiros (70%) dizem confiar no trabalho da PF, sendo 37% os que confiam muito e 33% os que confiam um pouco. Apenas 18% afirmam não confiar. Outros 8% dizem não ter conhecimento suficiente para avaliar e 4% não sabem ou não responderam.
A confiança na Polícia Federal também aparece em diferentes campos políticos. Entre lulistas/petistas, 61% confiam muito ou um pouco na instituição. Entre os entrevistados de direita não bolsonarista, o índice chega a 70%, e entre os bolsonaristas, a 73%.
Os resultados revelam, portanto, percepções bastante distintas sobre as duas instituições avaliadas. Enquanto o STF registra 45% de entrevistados que dizem não confiar em seu trabalho e uma maioria se mostra favorável a mudanças ou mecanismos de responsabilização de ministros, a Polícia Federal mantém confiança majoritária entre os brasileiros.
Informações técnicas
A 5ª rodada da Pesquisa Nacional Indexa/Broadcast foi realizada entre 10 e 13 de setembro de 2026, com 2.000 eleitores brasileiros entrevistados por telefone (CATI). A amostra foi estratificada por grandes regiões, com alocação proporcional ao eleitorado, e ponderada por gênero, faixa etária, escolaridade, renda e região. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-03482/2026.
Informações da assessoria de imprensa



