Pessoas já destinaram ao menos R$ 456 milhões a candidatos e partidos nas eleições de 2026 , segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultados na manhã desta segunda-feira (21). Até aquele momento, 34 doadores haviam contribuído com pelo menos R$ 1 milhão.
Para dimensionar o peso das ações privadas, até 20 de setembro as campanhas anunciadas declararam R$ 4,68 bilhões provenientes do Fundo Eleitoral e R$ 386,2 milhões do Fundo Partidário. Juntos, os dois fundos públicos somaram R$ 5,06 bilhões. Os R$ 456 milhões repassados ??por pessoas físicas equivalem a cerca de 9% desse montante.
O empresário Carlos Seabra Suarez, ligado aos setores de gás natural e energia, liderou o ranking nacional, com aproximadamente R$ 5,74 milhões. Os cinco maiores doadores somaram R$ 18,54 milhões:
- Carlos Seabra Suarez — R$ 5,74 milhões
- Alexandre Grendene Bartelle — R$ 3,9 milhões
- Rubens Ometto Silveira Mello — R$ 3,85 milhões
- Robert Carlos Lyra — R$ 2,6 milhões
- Pedro Grendene Bartelle — R$ 2,45 milhões
Alexandre e Pedro Grendene são cofundadores do fabricante de calçados Grendene. Rubens Ometto preside o conselho de administração da Cosan, e Robert Lyra, da Delta Sucroenergia.
Maiores doadores diversificam os destinos
Os maiores financiadores adotaram estratégias diferentes. Suarez concentrou quase todo o dinheiro em diretórios partidários e distribuiu recursos entre seis legendas. Alexandre Grendene, por sua vez, repassou todo o valor diretamente a cinco candidaturas, cada uma de um partido, segundo levantamento da plataforma independente 72Horas, de monitoramento de doações eleitorais.
Rubens Ometto destinou R$ 2,35 milhões diretamente a 15 candidatos de nove partidos; o restante foi repassado aos diretórios partidários. Pedro Grendene distribuiu suas contribuições entre seis candidaturas de cinco siglas: PT, PL, PSB, PSDB e PSD.
2% concentram quase metade das doações
O ranking dos maiores financiadores somam doações a candidatos e partidos. Quando o recorte considera apenas os recursos destinados diretamente às candidaturas, a concentração fica mais evidente.
Dados do 72Horas mostram que 929 pessoas doaram mais de R$ 50 mil cada. Elas representam cerca de 2% dos 47,7 mil doadores identificados, mas respondem por R$ 180,27 milhões — aproximadamente 48% das doações de pessoas físicas feitas diretamente às campanhas.
Na outra ponta, 27.656 pessoas desenvolveram com até R$ 2 mil. Elas representam 58% dos doadores, mas desembolsaram, juntas, R$ 20,15 milhões, equivalentes a 5,4% do total. O valor médio das contribuições foi de R$ 100 mil entre os grandes doadores e de R$ 500 entre os pequenos.
A comparação considera os dois extremos da base. Os doadores que destinaram mais de R$ 2 mil e até R$ 50 mil não integram nenhum dos grupos.
Os grandes financiadores também tendem a apoiar mais de uma candidatura. Cerca de um em cada três doou para mais de um nome. Entre os pequenos, a proporção foi de aproximadamente um em cada 63. Mais da metade do dinheiro dos grandes doadores veio de pessoas que dividiram suas contribuições entre diferentes campanhas.
Homens brancos recebem uma parcela maior
Homens brancos receberam 68% do dinheiro dos grandes doadores, embora representassem 46% das candidaturas que receberam alguma contribuição de pessoa física. Entre os pequenos doadores, uma parcela destinada a esse grupo cai para 49%.
As mulheres ficaram com 24% do dinheiro dos pequenos doadores e 13% dos recursos dos grandes. Os candidatos pretos e pardos receberam 37% dos valores do primeiro grupo, ante 22% do segundo.
A diferença é maior entre as mulheres negras. Elas representam 12% das candidaturas que receberam doações de pessoas físicas, ficaram com 11% do dinheiro dos pequenos doadores e com apenas 3% dos recursos dos grandes.
Grandes doadores priorizam governos e Senado
O destino do dinheiro também muda conforme o valor da contribuição. Entre os grandes doadores, 20% dos recursos foram para candidatos a governador e 13% para o Senado. Entre os pequenos, essas parcelas foram de 2% e 3%, respectivamente.
Nas eleições proporcionais, ocorre o contrário. Os candidatos a deputado estadual receberam 59% das pequenas contribuições, ante 35% das grandes. Na disputa para deputado federal, os percentuais foram de 32% e 27%.
Há diferenças também entre os partidos. O PL recebeu 20% do dinheiro dos grandes doadores e 11% dos recursos dos pequenos. No PSD, as parcelas foram de 14% e 11%; nos Republicanos, de 11% e 8%. No PT, a relação se inverteu: a legenda ficou com 10% das grandes contribuições e 16% das pequenas.
Como funciona o palet
No Brasil, empresas são proibidas de financiar campanhas eleitorais. Os candidatos que recebem recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário podem ser distribuídos pelas legendas, além de doações de pessoas físicas — inclusive por financiamento coletivo — e dinheiro próprio. Pelas regras do TSE , cada pessoa pode fazer até 10% dos rendimentos brutos obtidos no ano anterior, enquanto o autofinanciamento é limitado a 10% do teto de gastos da carga disputada. Doações financeiras iguais ou superiores a R$ 1.064,10 devem ser feitas por transferência entre as contas do doador e do beneficiário ou por cheque cruzado e nominal.
O total de R$ 456 milhões e o ranking dos maiores financiadores somam doações de pessoas físicas a candidatos e partidos registrados no DivulgaCandContas. Os demais recortes, escritos pela plataforma 72Horas , analisamos registros declarados até 21 de setembro e abrangem somente as ações diretas de pessoas físicas às candidaturas, sem autofinanciamento ou recursos entregues às legendas. Os valores são parciais e podem mudar com novos lançamentos ou retificações. Informações do Congresso em Foco



