Dez diretórios estaduais do MDB das regiões Norte e Nordeste declararam em comunicado nesta terça-feira (13) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, contrariando o movimento da ala majoritária da legenda, apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

Assinaram o documento dos diretórios dos presidentes do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Os dirigentes justificaram a adesão “em defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro, exercida por meio do voto direto”. Os emedebistas destacaram a manutenção de programas sociais, educacionais e de saúde do governo federal como das prioridades para o posicionamento.

O grupo também defendeu a continuidade dos investimentos em infraestrutura e logística, além de esperar avanços econômicos do governo, como o crescimento das exportações, a expansão do setor industrial e a redução do desemprego. “Interromper esse ciclo agora seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando”, sustentaram os dirigentes.

A nota também convocou prefeitos, vereadores, deputados, senadores e lideranças comunitárias do MDB para participarem da campanha presidencial. Os signatários defenderam a organização de “comitês de mobilização em todas as capitais e nos municípios-polo, carreatas e mutirões de rua, atos públicos nas praças”, além de articulações com as bases municipais e ações nas redes sociais.

Os diretórios orientaram que as atividades fossem realizadas dentro dos limites da legislação eleitoral, até a véspera da votação. “É hora de transformar essa força em votos definitivos”, concluiu.

Divisão no MDB

A manifestação ocorre diante de uma divisão interna do MDB sobre o segundo turno presidencial. Enquanto os dez diretórios anunciavam apoio a Lula, outra ala do partido se especificava para formalizar a adesão à candidatura de Flávio Bolsonaro. Dirigentes estaduais no Sul e Sudeste manifestaram preferência pelo senador, com um anúncio de apoio oficial previsto para esta terça-feira, em São Paulo.

A parceria apoiou Flávio contou com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Daniel Vilela (MDB), de Goiás.

Na convenção nacional realizada em julho, o MDB decidiu não apoiar nenhuma candidatura à presidência da República no primeiro turno e autorizou seus vários estados a estabelecer alianças de acordo com as disputas regionais. A decisão permitiu que diferentes grupos do partido mantivessem posições eleitorais independentes, sem a exigência de um alinhamento nacional único.

Revisão de neutralidade

O segundo turno levou partidos que conseguiram suspender neutros na disputa presidencial para declarar apoio a Flávio Bolsonaro. A federação PP-União foi a primeira a formalizar sua adesão, na terça-feira (6), seguida pelos Republicanos, na quarta (7). O Podemos anunciou seu posicionamento na quinta-feira (8) , ampliando a aliança do candidato do PL com partidos do centro político.

As decisões, porém, preservarão divergências regionais. O presidente dos Republicanos, Marcos Pereira (SP), reconheceu a autonomia dos diretórios da Paraíba e de Pernambuco , que apoiou Lula no primeiro turno. Na federação PP-União, o governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), também manteve seu compromisso com o petista. Já o PSD apresentou neutro, apesar do apoio individual ao seu candidato derrotado à presidência, Ronaldo Caiado, a Flávio Bolsonaro. informações do Congresso em Foco