A violência é considerada o principal problema do Brasil por 20% dos eleitores, enquanto 18% apontam a saúde e 15% mencionam a economia, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15). O levantamento mostra que segurança pública e atendimento de saúde permanecem no centro das preocupações da população durante a disputa presidencial de 2026.

Corrupção aparece na quarta posição, mencionada por 7% dos entrevistados, seguida por educação (6%), desemprego (4%), fome e miséria (3%), impostos elevados (3%) e desigualdade social (2%). Administração pública, gastos públicos, impunidade, salários, política e habitação receberam 1% das respostas cada.

A categoria violência reúne preocupações relacionadas à criminalidade, à atuação policial e à segurança pública. Já as respostas sobre economia abrangem questões como inflação e preços dos alimentos.

Preocupação com a saúde é maior entre mulheres e pessoas de baixa renda

A pesquisa identifica diferenças entre os segmentos da população. A saúde é apontada como principal problema por 22% das mulheres, ante 14% dos homens.

A desigualdade também aparece quando os resultados são divididos por renda familiar. Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos mensais, 23% consideram a saúde o problema mais importante do país. O percentual cai para 12% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.

A preocupação com a violência, por sua vez, apresenta percentuais semelhantes entre os diferentes grupos sociais analisados.

Na comparação com julho, a parcela dos entrevistados que coloca a violência no primeiro lugar passou de 17% para 20%, atingindo o maior percentual numérico desde 2023. Já a saúde recuou de 21%, registrado nas duas pesquisas anteriores, para 18%.

As duas variações ocorreram dentro da margem de erro do levantamento, o que não permite afirmar que houve mudança estatisticamente significativa na percepção dos eleitores.

Eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças

O levantamento também identifica prioridades distintas entre os apoiadores dos dois candidatos à Presidência.

Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), violência e saúde dividem a liderança, ambas mencionadas por 19% dos entrevistados. A economia aparece com 9%.

No eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), a economia é numericamente o problema mais mencionado, com 21%. A violência aparece com 20% e a saúde com 17%, percentuais que configuram empate técnico.

Os resultados mostram que a segurança pública está entre as principais preocupações dos dois grupos, enquanto a economia recebe mais menções entre os eleitores de Flávio.

Segurança pública e saúde estão entre os temas da campanha presidencial

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro inclui propostas para enfrentar os problemas identificados pelo Datafolha.

Na segurança pública, Flávio defende medidas de endurecimento penal, como a redução da maioridade penal e a castração química de condenados por crimes sexuais.

Lula, por sua vez, aposta na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, destinada a ampliar a coordenação do governo federal sobre as políticas de combate à criminalidade.

Nesta quinta-feira (15), integrantes da base governista discutiram a possibilidade de reduzir a maioridade penal para 16 anos nos casos de crimes hediondos. A iniciativa enfrentou resistência dentro do governo e provocou divergências no PT, partido historicamente contrário à redução.

Na saúde, os dois candidatos apresentam propostas para diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). As medidas incluem o uso de novas tecnologias e a participação de prestadores privados no atendimento à população.

A Folha apontou que os programas de governo não detalham suficientemente como seriam financiadas as medidas anunciadas pelos candidatos para reduzir as filas do SUS.

Na área econômica, uma das propostas defendidas por Lula é o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. O Senado aprovou a mudança nesta quarta-feira (14).

Flávio Bolsonaro também votou favoravelmente à proposta, depois de criticar seu uso na campanha eleitoral. O candidato justificou a mudança de posição pelo apoio da população à medida, enquanto integrantes de sua campanha passaram a considerar possíveis alterações no texto caso ele seja eleito.

O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 13 e 14 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00466/2026. Os participantes responderam espontaneamente qual consideravam o maior problema do país de responsabilidade do governo federal, sem receber uma lista de alternativas.

Informações do 247