Na última terça-feira (3), o secretário municipal de Fazenda, Eder Alexandre Pires confirmou que o pagamento do 13º salário dos servidores municipais de Londrina será realizado em duas parcelas, nos dias 30 de novembro e 20 de dezembro.
No dia seguinte, 4 de novembro, a Prefeitura voltou a assegurar publicamente o pagamento do direito. O secretário de Fazenda afirmou que não há previsão de atrasos no pagamento do 13° e o prefeito Tiago Amaral (PSD) também declarou que a reposição salarial será a próxima prioridade da administração, embora sua concessão ainda dependa da disponibilidade de recursos.
A informação foi apresentada em resposta da Secretaria Municipal de Fazenda a um pedido do vereador Santão (PL). O parecer informa que o pagamento contempla servidores ativos, aposentados e pensionistas. Trabalhadores que já receberam a primeira parcela durante as férias não receberão novamente essa antecipação.
A confirmação ocorre após semanas de preocupação dos trabalhadores diante da crise financeira anunciada pela administração municipal, que estima encerrar o ano com déficit de R$ 205 milhões. Apesar da definição sobre o benefício, a reposição inflacionária dos salários para 2027 continua sem garantia orçamentária.
Para Fábio Molin, presidente do Sindserv Londrina (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais), a informação foi recebida de forma positiva, mas com cautela.
“É importante que a Prefeitura reconheça publicamente sua capacidade de cumprir as obrigações com os servidores, especialmente depois de tantas declarações sobre dificuldades financeiras e limitações de recursos”, afirma.
“O pagamento do 13º salário não é uma concessão da administração, mas um direito dos trabalhadores e uma obrigação do município. A confirmação das datas é importante para trazer tranquilidade aos servidores, que precisam organizar seus compromissos financeiros”, comenta.
O presidente adverte que a manifestação está fundamentada em uma expectativa de arrecadação e por isso, o Sindicato continuará acompanhando a situação até que os pagamentos sejam efetivamente realizados.
“O que não podemos aceitar é que os servidores permaneçam constantemente diante de um cenário de insegurança em relação a direitos que já estão assegurados”, defende.
Déficit financeiro
A preocupação com a situação financeira do município ganhou força após a administração de Tiago Amaral anunciar uma previsão de déficit de aproximadamente R$ 205 milhões nas contas públicas ao longo de 2026.
Entretanto, o Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL), avalia que o déficit era previsível e questiona a ausência de medidas antecipadas para enfrentar as dificuldades.
Fábio diz que o Sindserv entende que as dificuldades financeiras precisam ser discutidas com transparência, mas não podem servir como justificativa permanente para deixar a valorização dos trabalhadores em segundo plano.
Em 9 de outubro, a administração publicou o Decreto Municipal nº 1.230, formalizando medidas de contingenciamento de despesas. Entre elas está a limitação do pagamento de horas extras dos servidores por 120 dias, além da revisão de contratos e outros gastos da máquina pública.
Reposição salarial fora da proposta orçamentária
A ausência de previsão da reposição inflacionária no orçamento municipal de 2027 virou outra preocupação do funcionalismo.
A discussão foi levada à Câmara Municipal durante audiência pública realizada em 14 de outubro, para debater a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) do próximo ano. Apesar do orçamento estimado ser de aproximadamente R$ 3,9 bilhões, a proposta não contempla os recursos necessários para assegurar a recomposição dos vencimentos dos servidores.
O Sindserv esteve na audiência e mobilizou trabalhadores para cobrar a inclusão da reposição no planejamento financeiro. “Participamos das discussões, apresentamos nossos argumentos e buscamos o diálogo tanto com o Executivo quanto com os vereadores”, conta Fábio.
Durante a discussão, o secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, afirmou que a reposição não estava descartada, mas que sua concessão dependerá da disponibilidade financeira do município e do espaço no orçamento.
Projeto é retirado de pauta na Câmara
A discussão avançou para o Legislativo em 27 de outubro, quando o Projeto de Lei nº 285/2026, relacionado às alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e no Plano Plurianual (PPA), foi retirado de pauta por duas sessões.
O pedido partiu da vereadora Professora Flávia Cabral (PP), líder do prefeito na Câmara, sob a justificativa de permitir a apresentação de uma emenda à proposta. A decisão adiou a discussão, inicialmente prevista para aquela sessão.
Segundo Fábio, a maior preocupação é que a proposta orçamentária não contemple a previsão da reposição de 4,3%, enquanto a alteração da LDO continua sendo adiada.
O presidente diz que o Executivo apresentou um novo requerimento solicitando sua retirada por mais três sessões. “Isso prolonga uma indefinição que afeta diretamente milhares de servidores municipais”, pontua.
Em entrevista à Tarobá, no dia 31 de outubro, o prefeito disse que a gestão estava trabalhando para preservar os pagamentos do funcionalismo por meio de medidas de contenção de despesas em outras áreas. Sobre a reposição de 2027, reiterou que a concessão dependerá da entrada de recursos e dos resultados do ajuste fiscal.
Fábio Molin avalia que o principal resultado tem sido manter a categoria mobilizada e a reposição salarial no centro das discussões sobre o orçamento municipal. “Os servidores participaram de audiências públicas, acompanharam sessões da Câmara e demonstraram que estão atentos às decisões que envolvem seus direitos”.
Ele reforça que o resultado esperado ainda não foi obtido. “A ausência de uma definição sobre a reposição salarial é uma preocupação que permanece, e não podemos tratar como conquista aquilo que ainda não foi garantido. Nossa expectativa para a reta final do ano é que o Executivo apresente uma solução efetiva e que o Legislativo assegure o espaço necessário para o debate”, finaliza. Informações do portal Verdade


