Na tarde desta segunda-feira (15), moradores da ocupação Solidariedade, localizada no Jardim Cristal, zona Sul de Londrina, protestaram em frente à Prefeitura para exigir a regularização fundiária.

A mobilização reuniu moradores de outras ocupações da cidade que, além de também reivindicarem o direito à moradia, compareceram em apoio às 150 famílias ameaçadas de despejo, após a Sial Engenharia, empresa proprietária do terreno, solicitar reintegração de posse.

A manifestação também contou com a participação de integrantes da CMP (Central de Movimentos Populares), do MAP (Movimento Autônomo Popular), entre outros coletivos.

Desde a notificação judicial de que as famílias teriam que desocupar o espaço até dia 30 de setembro, a comunidade do Jardim Cristal intensificou a mobilização, cobrando respostas da Prefeitura de Londrina que, segundo os moradores, não tem demonstrado interesse em mediar a situação. 

Conforme informado pelo Portal Verdade, em reunião realizada no último sábado (13), foram coletadas mais de 100 assinaturas contra a ação de reintegração de posse (relembre aqui).

Mariellen Roberto, moradora e representante ocupação Solidariedade, pontua que muitas famílias residem no local há mais de uma década. Ainda, segundo ela, esta não é a primeira vez que solicitam a desocupação do terreno. A primeira liminar foi emitida em 2018. 

Sete anos depois, as famílias ainda permanecem em risco, na incerteza se terão um teto.

“Estamos sendo despejados. Essas liminares acontecem há anos, foram quebradas, mas agora vem novamente. Ficamos muito preocupados porque não temos nenhuma expectativa fora deste espaço”, diz. 

De acordo com a liderança, a falta de regularização também tem impactado nas condições de vida das famílias, já que serviços essenciais como água encanada não são garantidos. A ausência de asfalto também dificulta a locomoção dos moradores e a assistência à saúde. O ponto de ônibus mais próximo está há um quilômetro de distância.

“A gente não tem apoio da rede de saúde aqui dentro, é bem complicado eles entrarem na ocupação por conta das ruas. Estamos aos poucos colocando como podemos o concreto nas ruas, tentando canalizar as águas, puxar a energia para que as pessoas não vivam no escuro, mas vivemos em situação de vulnerabilidade total e de exclusão por parte daqueles que poderiam fazer algo”, observa.

Mariellen lembra que a Sial Engenharia já demonstrou interesse em vender o terreno, mas que não recebeu nenhuma proposta da Prefeitura por meio da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina).

“Estes dois órgãos públicos [Cohab e Prefeitura de Londrina] não se manifestam a nosso favor, a gente vive um grande descaso por parte deles”, assinala. 

“A gente fica com essa dúvida, será que a Prefeitura realmente se importa? Será que a Cohab tem algo a nos dizer?”, questiona. 

Tiago Amaral deixa famílias sem respostas

Apesar das muitas dúvidas, as famílias permanecem sem um posicionamento da Prefeitura que, por meio de nota, se limitou a dizer que a reintegração de posse não foi solicitada pelo município, mas pela empresa proprietária do terreno junto à Justiça.

Segundo o presidente da Associação de Moradores do Jardim Franciscato, Luiz Carlos de Camargo, mesmo após novo pedido dos moradores para que o poder Executivo intervenha no conflito, o prefeito Tiago Amaral (PSD), que estava na Câmara de Vereadores durante o protesto, deixou a Casa pela porta dos fundos, sem dialogar com a comunidade ameaçada de despejo. 

De acordo com levantamento da Cohab, em 2023, Londrina contabilizava 65 ocupações urbanas.

“Precisamos que alguém intervenha por nós, não temos outro espaço, não temos para onde ir. As crianças estão chorando porque entendem que querem tirá-las do lugar que elas conhecem como lar”, finaliza Mariellen.  Informações do portal Verdade