Dezenas de pessoas estiveram presentes durante a coletiva de imprensa realizada nesta manhã (15) em frente da Casa do Bom Samaritano, zona leste, para denunciar a falta de pagamento dos salários de mais de 40 funcionários que tiveram os contratos rescindidos no último dia 30 de setembro.
A entrevista foi convocada pelo presidente do Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado do Paraná (Senalba), Vilson Vieira de Melo.
De acordo com Melo, desde a intervenção da instituição, no dia 10 de outubro, o Sindicato tem tentado conversar com o interventor, o advogado e padre Cesar Braga, mas não tem obtido resposta. “É um descaso o que estão fazendo com os trabalhadores que estão sem receber salários e sem saber quando receberão os valores da rescisão de contrato. Já procuramos o interventor, a prefeitura e ninguém resolve isso. Tem funcionários que estão passando fome em casa, com as contas atrasadas e ninguém faz nada, é revoltante”, declarou.
O sindicalista informou ainda que enquanto os acertos não forem feitos, os profissionais ficam impossibilitados de buscar o seguro desemprego e procurar outro emprego.
“Sem receber a verba rescisória não tem como dar baixa na carteira de trabalho e isso inviabiliza a vida profissional destes trabalhadores”, disse.
Já o advogado do Senalba, Rafael Jean Tirapeli, informou que o Sindicato protocolou a denúncia da falta de pagamento no Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho, Secretaria Municipal de Assistência Social e do Idoso.
“Já tivemos reunião com a secretária de assistência, com o interventor, mas infelizmente não tivemos retorno, por isso estamos estudando entrar com medida judicial para garantir na justiça os direitos dos trabalhadores”, disse o advogado.
Trabalhando sem salários
“Nossa situação está difícil porque não temos salário e ninguém dá uma satisfação para nós. Desde que o interventor assumiu, ele não veio aqui conversar com a gente sobre o que vai ser feito. Já fomos demitidas e mesmo assim estamos vindo trabalhar em respeito aos 17 idosos que ainda estão aqui”, desabafou a cuidadora Alessandra Soares dos Santos.
Ela conta que a instituição está dependendo de doações para fazer as refeições dos idosos. “No último fim de semana, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra estiveram aqui e trouxeram alimentos, mas na semana que vem não sabemos como vai ficar”, disse Alessandra.
Angústia e medo
A dona Maria Célia Rosa, 68, morou na rua por mais de 50 anos. Acolhida pela instituição há cerca de um ano, ela relata que os internos que permaneceram na Casa estão angustiados e com medo. “Aqui é um lugar muito bom, somos bem tratados, as funcionárias são atenciosas e mesmo sem salário continuam vindo trabalhar. Eu imploro para que paguem os direitos dos trabalhadores, porque se a casa fechar, não temos para onde ir, pois eles não querem a gente nas ruas também, para onde iremos?”.

Na última sexta-feira (10), o advogado e padre Cesar Braga da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, no Jardim Shangri-lá B, nomeado interventor judicial da Casa do Bom Samaritano pela juíza Gabriela Luciano Borri Aranda, da 1ª Vara da Fazenda Pública, assumiu a gestão temporária da unidade.
A medida ocorre após a direção da entidade informar que encerraria os atendimentos no final de setembro por falta de verba. Há 42 anos, a Casa do Bom Samaritano acolhe e apoia pessoas em situação de vulnerabilidade incluindo idosos (saiba mais aqui). Informações do portal Verdade



