O brasileiro Matheus Silveira, de 30 anos, permanece detido há cerca de dois meses em San Diego, na Califórnia, após ser preso durante a etapa final do processo para obtenção da residência permanente nos Estados Unidos. Ele foi levado sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) em 24 de novembro de 2025, quando participava de uma entrevista migratória relacionada à regularização de seu status por meio de casamento.

As informações foram divulgadas pela CNN Brasil. De acordo com o governo dos Estados Unidos, a detenção ocorreu em razão de violações migratórias e da existência de antecedentes criminais registrados no país.

Segundo autoridades federais, Matheus Silveira teria ultrapassado o prazo de validade de um visto de estudante, que expirou durante a pandemia de Covid-19. Ainda conforme os registros oficiais, ele foi condenado em 2022, no estado de Nevada, por dirigir após o consumo de álcool, o que também pesou na decisão migratória.

A esposa do brasileiro, a americana Hannah Silveira, descreveu o momento da prisão. Ela contou que o casal havia comparecido a um prédio federal para cumprir as exigências legais do processo de regularização migratória por casamento, quando a situação mudou de forma abrupta. Ao final da entrevista, quatro agentes teriam entrado na sala e levado Matheus algemado.

Hannah afirmou que o marido se encontrava em situação regular quando o visto venceu e que o casal buscou seguir os trâmites legais após o casamento. “Ele estava legalmente na Califórnia quando o visto expirou. O documento venceu durante a pandemia e, depois, nos casamos em 2024. Tentamos obter a residência permanente com base no casamento, após a cerimônia em agosto daquele ano”, relatou.

Apesar da prisão, Matheus Silveira recebeu autorização das autoridades migratórias para deixar os Estados Unidos de forma voluntária. Esse mecanismo permite que o estrangeiro organize a própria saída do país em um prazo de semanas ou meses, mas impõe a proibição de retorno ao território americano por até dez anos. A expectativa é que ele volte ao Rio de Janeiro acompanhado da esposa.

Segundo Hannah, no entanto, ainda não há uma data definida para a viagem. “Não temos uma data estimada de chegada ao Brasil porque o ICE se recusa a se comunicar com nosso advogado para organizar a viagem. Planejamos ir o mais rápido possível quando permitirem que ele saia. Criamos uma página de doações para ajudar com os custos jurídicos e de mudança, porque isso consumiu todas as nossas economias na tentativa de enfrentar o que está acontecendo”, afirmou.

O caso ocorre em meio a um contexto de endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos e tem chamado atenção para os riscos enfrentados por imigrantes que tentam regularizar sua situação, mesmo quando o processo ocorre dentro das vias legais previstas pela legislação americana. Informações do portal Brasil 247