A Comissão de Administração, Serviços Públicos, Fiscalização e Transparência da Câmara Municipal de Londrina (CML) realizou na manhã desta segunda-feira (23) vistoria surpresa no Terminal Urbano Central de Ônibus, que passa por obra de recuperação estrutural. A imprensa foi convidada a acompanhar a visita. A ação, conduzida pelos vereadores Chavão (Republicanos), presidente da comissão, e Régis Choucino (PP), foi acompanhada pelo gerente de Terminais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Sandro Neves.
A fiscalização teve como base o Pedido de Informação nº 68/2026, protocolado no início do ano, que solicitou à Prefeitura a lista atualizada de obras em andamento na cidade, informações sobre intervenções em atraso e a regularidade das atualizações no sistema CIGA, no Portal da Transparência.
Terminal Urbano Central: execução abaixo de 10% e sem trabalhadores
A obra de recuperação estrutural do Terminal, executada por meio do Contrato nº SMGP-78/2025 no valor de R$ 1.098.800,00, começou em 13 de agosto de 2025 e deveria ser concluída em 10 de abril de 2026, conforme os 150 dias corridos estipulados no contrato.
No entanto, a menos de 20 dias da entrega, dados do sistema CIGA, no Portal da Transparência da Prefeitura de Londrina, mostram que apenas 8,12% da obra foi executada. Até o momento, foram realizadas três medições pelos fiscais do Poder Executivo, totalizando R$ 89.189,38 pagos à empresa Quimicons Engenharia e Comércio Ltda.
“Chegamos aqui e não avistamos ninguém da empresa trabalhando, numa segunda-feira. Não ter um responsável ou alguém trabalhando em uma obra que deve ser entregue dia 10 de abril é preocupante. No sistema, a obra consta como 8% contemplada, então praticamente não fizeram nada. E frisando bem: é uma obra de R$ 1 milhão de reais. […] Conversamos aqui [com representantes da CMTU] e disseram que a empresa costuma vir só na terça-feira porque eles são da região de Curitiba, de Campo Largo. Pelo amor de Deus, não podemos aceitar”, criticou o vereador Chavão durante a vistoria, ressaltando que a comissão cobrará explicações sobre os motivos desse atraso e o novo cronograma da intervenção.
O contrato prevê a recuperação estrutural do terminal, incluindo fornecimento de materiais, mão de obra e equipamentos. Mas a comissão não conseguiu encontrar o detalhamento dos serviços contratados. “Nós fomos informados pelo responsável aqui da CMTU de que eles não estão contemplando a escada rolante, é só uma parte estrutural do terminal. O contrato contempla questões de dilatação do piso, uma melhoria que engenheiros da Prefeitura verificaram que era necessária. Ficamos sabendo agora que não está sendo contemplada a escada rolante, que é a principal demanda da população”, disse o presidente da comissão.
Transparência e fiscalização
A comissão apontou que a situação da obra fiscalizada evidencia problemas tanto na execução quanto na transparência dos dados disponibilizados à população. Em 30 de janeiro de 2026, foi registrado um aditivo de prorrogação do prazo do contrato, sem que o documento com a justificativa fosse anexado para consulta no sistema CIGA.
Os parlamentares afirmaram que deverão encaminhar novos Pedidos de Informação à CMTU e à Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação solicitando esclarecimentos adicionais sobre os atrasos e a ausência de informações no sistema CIGA. A comissão também agendará reunião com a empreiteira responsável pela obra e o Executivo Municipal. “Queremos trazer a empresa para dentro da Câmara Municipal, para um debate junto com o secretário de Obras, porque, da maneira que está, não podemos aceitar”, adiantou Chavão. Informações da CML



