Na última semana, o Portal Verdade recebeu a informação de uma proposta para uso da estrutura do Hospital Universitário (HU) para atendimento privado. A informação foi confirmada quando a reportagem teve acesso a um documento produzido pelo Colegiado de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O documento foi encaminhado, em agosto do ano passado, para várias instâncias da UEL, incluindo Reitoria, Superintendência e Direção Clínica do Hospital e Direção do Centro de Ciências da Saúde.
O documento demonstra a preocupação com a crise enfrentada pelo Hospital Universitário, causada pela falta de médicos, fator que tem levado à demora nos atendimentos à população e reflete sobre a relação dos médicos docentes que atendem no Hospital.
Na tentativa de diminuir os prejuízos, o Colegiado apresenta algumas sugestões, entre elas, a utilização da estrutura do HU para atendimentos particulares, sendo que parte dessa renda iria para o curso de Medicina da UEL, que segundo o documento também enfrenta sérios problemas, inclusive, correndo o risco de ser fechado.
A reportagem apurou que o documento foi encaminhado para a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Sem espaço na agenda
O programa Aroeira, veiculado há nove anos pela Rádio UEL FM, propôs a realização de entrevistas com as duas chapas que concorrem à eleição da Reitoria para tratar sobre as ações da Universidade, por meio dos seus órgãos suplementares, junto à comunidade externa.
Os convites foram feitos para as duas chapas que concorrem ao pleito. No entanto, apenas a Chapa 2 comandada pelo economista Sérgio Carvalho e a vice Marta Favaro aceitaram o convite. A assessoria da Chapa 1, que tem à frente a professora Andrea Name e o advogado Miguel Belinati, alegaram falta de espaço na agenda. Diante disso, a entrevista foi gravada apenas com os candidatos da Chapa 2 – UEL mais Forte.
Em defesa do HU 100% SUS
Ao serem perguntados sobre o tema, o candidato Sérgio Carvalho rechaçou a proposta de utilizar a estrutura do HU para atendimentos privados. Segundo ele, existem outras alternativas para manter o hospital 100% SUS (Sistema Único de Saúde).
“Para manutenção dos docentes médicos da UEL é preciso fazer a equiparação do título de especialista ou residente ao de mestrado, pois isso aumenta o salário da carreira. Outra ação é o trabalho de formação da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (HUTec), para a realização de ensaios clínicos, projetos de inovação e excelência. A Fundação também pode ser utilizada para realizar o atendimento de serviços que não são oferecidos pelo SUS, a preços acessíveis à população”, explicou Carvalho.
Ainda, segundo o candidato, é possível estimular o trabalho dos residentes por meio de convênios com a Secretaria Estadual de Saúde (SESA) e outros hospitais parceiros para a realização de cirurgias eletivas.
“O oferecimento de bolsas adicionais aos residentes vai incentivar a permanência desses estudantes. Isso vai gerar renda para os residentes e contribuir para zerar a fila de espera do SUS”, disse.
Ouça o programa na íntegra disponível aqui.

Sem resposta
A reportagem do Portal Verdade entrou em contato com a candidata Andrea Name para saber a posição da Chapa 1 no que se refere à proposta do Colegiado de Medicina da UEL, em privatizar o HU. A professora respondeu que iria encaminhar por texto, via assessoria de imprensa. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve resposta. O espaço está aberto para a manifestação da candidata à Reitoria. A reportagem também solicitou o pronunciamento da Superintendente do HU, enfermeira Iara Aparecida de Oliveira Secco, mas não obteve retorno até o momento.

Em nota, CMS se manifesta contrário à privatização
A presidenta do Conselho Municipal de Saúde de Londrina, Vaine Pizolotto, manifestou-se por nota, seu posicionamento contrário à recente proposta apresentada pelo Colegiado do Curso de Medicina, que sugere o uso da infraestrutura do Hospital Universitário para o atendimento de pacientes particulares de seus docentes.
Segundo ela, a solução para um problema de gestão e de valorização da carreira pública pelo estado não pode, em hipótese alguma, ser a privatização do espaço público e a precarização do Sistema Único de Saúde.
“Sob a ótica do Direito Público, a proposta esbarra frontalmente no Artigo 37 da Constituição Federal. O Hospital Universitário é um bem público, mantido com os impostos de toda a sociedade, e sua finalidade deve ser estritamente voltada ao interesse coletivo. A utilização de sua estrutura — seja física ou via telemedicina —, de seus equipamentos e de sua marca para o patrocínio de interesses financeiros estritamente privados fere os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa”, declarou. Informacoes do portal Verdade



