Entre os dias 29 de abril a 1º de maio, o Coletivo de Sindicatos de Londrina e Região promove a III Semana da Trabalhadora e do Trabalhador. A atividade busca chamar atenção para as lutas e conquistas travadas pela classe trabalhadora em todo o país ao longo dos anos.

Laurito Porto Lira, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região e um dos coordenadores do Coletivo, aponta que a data é importante para o movimento sindical estreitar o diálogo com a população. 

Para ele, é momento de relembrar o papel que trabalhadoras e trabalhadores de diferentes segmentos desempenharam na implementação de direitos como a instauração do salário-mínimo, 13º salário, férias remuneradas, seguro-desemprego, entre outros avanços.

Segundo Laurito, a atividade tem, sobretudo, caráter de conscientização em um contexto marcado por retrocessos e retirada de garantias, a exemplo da Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), que alterou mais de 100 pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), visando flexibilizar as relações de trabalho. 

“É uma atividade importante para os sindicatos de Londrina, é um resgate do 1º de maio, não é apenas para comemoração e feriado, mas para memória de lutas e sacrifícios de todos os trabalhadores de todas as categorias na construção de direitos que foram atacados, inclusive, na Reforma Trabalhista, estamos em busca do que foi perdido”, diz. 

Quase uma década depois, diversos estudos demonstram que o saldo da Reforma Trabalhista inclui queda da remuneração e, portanto, do poder de compra do trabalhador, aumento da informalidade, enfraquecimento das normas de segurança, cerceamento à atividade sindical, precarizando ainda mais as condições de vida (saiba mais aqui).

“É uma atividade formativa, existe uma luta de classes entre trabalhadores e aqueles que exploram, e os trabalhadores precisam escolher o lado para continuar lutando por vida digna”, complementa Laurito.

A programação inicia nesta quarta-feira (29) com a instalação de um varal de lutas no Calçadão de Londrina. A mostra estará disponível para visitação a partir das 9h.

Gilson Pereira, diretor do SindSaúde-PR (Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais dos Serviços de Saúde e Previdência do Estado do Paraná) também avalia que a Semana é um instrumento para instigar a mobilização da classe trabalhadora em defesa de melhores condições de trabalho e salário, bem como no fortalecimento de serviços e políticas públicas, das quais é a principal beneficiária. 

“Precisamos entender a legitimidade que os trabalhadores têm no processo produtivo e a importância de continuar lutando de forma organizada por nossos direitos, melhores salários, se envolvendo em pautas, como o fortalecimento do SUS [Sistema Único de Saúde], que também é resultado da luta da classe trabalhadora”, sustenta.

Através da atividade, Coletivo busca estreitar diálogo com a população – Foto: Leiliani de Castro

Fim da escala 6×1 

Já na quinta-feira (30), a partir das 18h, na Concha Acústica, acontece aula pública sobre o fim da escala 6×1, além de apresentações culturais. Quem provoca as discussões é o professor do Departamento de Artes Visuais da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Kennedy Piau. 

Aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados na última semana, o texto depende do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), para continuar o trâmite.

O projeto reúne dois textos: um deles é de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL) e determina a redução para 36 horas semanais com jornada de quatro dias por semana. O outro é do deputado Reginaldo Lopes (PT) e prevê a redução para 36 horas semanais com, no máximo, oito horas diárias.

Tanto a base do governo quanto os partidos do centrão têm defendido a redução para uma escala com 5 dias de trabalho e 2 de descanso com 40 horas semanais. Atualmente, a jornada de trabalho permitida é de até 44 horas semanais. 

No último dia 14, o presidente Lula (PT) também enviou ao Congresso Nacional, projeto de lei que coloca fim à escala 6×1, garantindo dois dias de descanso e limitando a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto tramita em caráter de urgência e, portanto, precisa de 257 votos na Câmara e no Senado, de maioria simples, desde que no dia da votação estejam presentes no plenário, no mínimo, 42 dos 81 senadores.

A apreciação do texto precisa ser realizada em até 45 dias, a partir da chegada ao Congresso Nacional, prazo que encerra no mês de junho.

Para Gilson, é essencial que a classe trabalhadora se envolva nas discussões e cobre a aprovação do projeto. “Temos uma parcela de trabalhadores que trabalha 6 dias por semana e folga somente 1 dia e nesse dia tem que organizar sua vida, sua rotina de casa, cuidar dos filhos, ir ao médico e isso é muito pouco para que este trabalhador descanse, tenha qualidade de vida, e consiga retornar ao seu trabalho com saúde. É direito do trabalhador ter tempo de descanso. Defender o fim da escala 6×1 é defender a família, tempo de qualidade com filhos, é defender a dignidade”, adverte. 

De acordo com levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 20 milhões de pessoas trabalham na escala 6×1 no Brasil, o que representa 33,2% dos empregos formais. O modelo atinge, principalmente, trabalhadores do setor de serviços e comércio, áreas que contam com forte presença de mulheres. 

Neste caso, o único dia de “folga” costuma ser absorvido por tarefas domésticas acumuladas, compras, organização da casa e cuidados com filhos ou familiares.

“A quem pertence o nosso tempo? Temos direito ao descanso e de estar com as nossas famílias? O patronato quer este tempo para transformar em lucro, e os trabalhadores precisam para ter mais qualidade de vida e saúde”, evidencia Laurito.

José Faleiros, presidente do Sinttrol (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina), lembra que há diversos setores econômicos que já empregam a escala 5×2.

“É uma bandeira muito importante porque se trata de mais tempo para que os trabalhadores fiquem com suas famílias, tenham mais tempo de lazer, para cuidar da sua saúde física e mental, e está mais do que na hora do Brasil adotar este regime. Há diversos setores econômicos que já trabalham nesta escala 5×2, nada mais justo do que estender esta jornada para os trabalhadores dos demais setores sem prejuízo do salário”, reforça. 

Hoje, são quase 30 milhões de pessoas fazendo 40 horas semanais, em 5 dias de trabalho no país, ou seja, os números mostram que a maioria dos empregos no Brasil já superou a escala 6×1.

Samba do Trabalhador 

A atividade encerra com a 2ª edição do Samba do Trabalhador, que acontece na próxima sexta-feira (1º), a partir das 16h, no Canto do Marl (Avenida Duque de Caxias, nº 3.241 – Centro).

A entrada é gratuita. No espaço, também serão vendidos bebidas como água, cerveja, refrigerante, além de espetinhos e lanches, todos a preços populares. 

O Samba do Trabalhador é organizado pelo CDH (Centro de Direitos Humanos de Londrina), Bancada Alviceleste, coletivo antirracista e antifascista de torcedores do LEC (Londrina Esporte Clube), Levante Popular da Juventude e tem apoio do Coletivo de Sindicatos.

“Para que a classe trabalhadora possa participar com muita alegria sem deixar de lado as nossas bandeiras como o fim da escala 6×1, lembrando que vida não é só trabalho, temos direito da vida em família, em comunidade, se organizar em sindicatos, associações, fazer o que quisermos durante a nossa folga, um descanso extremamente merecido, já que somos explorados pelo mercado de trabalho, vendendo boa parte do nosso tempo por preços irrisórios que chamamos de salário”, assinala Alisson Poças, coordenador do CDH Londrina. 

Confira a programação completa:

Arte: Divulgação

Informações do portal Verdade