A cada eleição, o cenário político brasileiro repete um roteiro conhecido: para além dos nomes carimbados da “velha política”, surge sempre uma safra de figuras que, sem histórico na gestão pública, resolvem se aventurar nas urnas ancoradas na notoriedade que conquistaram nos palcos, nos esportes ou nas redes sociais.

Esses nomes são cobiçados pelos partidos para atuarem como legítimos “puxadores de votos”. O objetivo é simples: usar a popularidade de uma celebridade para aumentar o quociente eleitoral e “arrastar” outros candidatos da legenda.

O exemplo dessa estratégia máxima é o palhaço Tiririca. Em 2010, com apenas alguns segundos de propaganda e o bordão “pior que tá não fica” , o humorista protagonizou uma das maiores fachadas da política brasileira.

Ele foi o deputado mais votado do Brasil, com mais de 1,3 milhão de votos. O impacto foi tamanho que, sozinho, ele conseguiu a eleição de mais três parlamentares do seu partido na época, o PR (PL atual), que conseguiu na carona de sua votação recorde.

Para 2026, a lista de pré-candidatos inclui influenciadores, artistas e esportistas.

Antonia Fontenelle (PSDB-RJ)

A atriz e influenciadora digital oficializou sua entrada no ninho tucano como parte da dependência do partido no Rio. Fontenelle justifica a sua candidatura como uma ocorrência ao “sequestro do debate público” pelos extremos. Ela foca em pautas como o combate ao feminicídio, o enfrentamento à corrupção e a proteção infantil, afirmando que não aceita mais assistir “de braços cruzados” às injustiças sociais e à polarização que, segundo ela, adoeceu o país.

Augusto Cury (Avante)

Mirando o cargo na Presidência da República, o escritor de autoajuda e psiquiatra Augusto Cury se filiou ao Avante. A legenda afirma que a decisão busca apresentar uma alternativa à polarização política e defender um projeto voltado ao desenvolvimento do país.

O escritor já havia sinalizado, no início de março, a intenção de disputar as eleições, embora ainda não tivesse definido uma filiação partidária. Na época, o anúncio foi feito por meio de uma carta aberta publicada em suas redes sociais, na qual afirmou que a decisão decorre de uma reflexão sobre o futuro do país.

Edmundo (PSDB-RJ)

Ídolo do Vasco, o ex-jogador filiou-se ao PSDB a convite do presidente estadual da sigla, Luciano Vieira. O ex-atleta classificou a entrada na vida partidária como sua “primeira aventura” na política e associou a filiação à agenda do partido externo ao esporte e à infância. Em 2018, ele chegou a se filiar ao Podemos, mas não concorreu a cargas eletivas.

Gracyanne Barbosa (Republicanos-RJ)

Uma influenciadora fitness e fisiculturista pretende disputar uma vaga no Rio de Janeiro. Sua plataforma é focada no esporte como ferramenta de transformação e disciplina. Gracyanne afirma estar madura para “devolver” o que recebeu em sua trajetória, focando em pautas de saúde e nos valores que, segundo ela, o partido compartilha com sua história de vida.

Rico Melquiades (PSDB-AL)

O vencedor de A Fazenda 13, reality show da Record , aposta na irreverência para conquistar o eleitorado de Alagoas . Com quase 12 milhões de seguidores, ele traz propostas polêmicas e diretas, como a oferta de cirurgias plásticas pelo SUS e a criação de benefícios inusitados, misturando entretenimento com uma crítica ácida ao sistema político tradicional.

Silvia Abravanel (PSD-SP)

Filha de Silvio Santos e apresentadora do SBT, Silvia filiou-se ao PSD na intenção de lançar pré-candidatura à Câmara por São Paulo. Conhecida como Silvinha, ela é responsável pelo programa Sábado Animado . Sua atuação política está ligada à inclusão de pessoas com deficiência, motivada pela experiência com sua filha Luana. Caso a candidatura se concretize, será a primeira vez que ela disputa uma carga política.

Tayane Gandra (PSDB-RJ)

Mãe do pequeno Guilherme Gandra, o “Menino Gui”, Tayane Gandra foi recrutada pelo PSDB. O garoto ficou conhecido pelo amor ao Vasco e pela luta contra a epidermólise bolhosa, doença rara que deixa a pele frágil. Ao anunciar a filiação, o presidente estadual da sigla destacou a determinação de Tayane e afirmou que o partido continuará a lutar pela acessibilidade e inclusão ao lado dela.

Val Marchiori (Republicanos-SP)

Na luta contra um câncer de mama, a socialite Val Marchiori e afirma que o diagnóstico fez “ressignificar” sua trajetória. Val diz querer usar sua voz e visibilidade na política para apoiar outras mulheres que enfrentam a mesma batalha, focando na conscientização e no acesso a tratamentos oncológicos. Ela defende que sua entrada na vida pública é uma forma de usar sua experiência pessoal para “fazer algo” por quem mais precisa.

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