No último sábado (18), um incêndio destruiu sete barracos localizados no Centro Cultural Kaingang VÃRE, próximo à Avenida Dez de Dezembro, na região sul de Londrina.
De acordo com o cacique Renato Kriri, não havia ninguém nas moradias quando o fogo se alastrou, por volta das 17h. Muitas famílias estavam participando de festividades na Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana, em virtude do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril.
Após o incidente, as famílias decidiram não retornar ao local. Em reunião com lideranças indígenas, ficou definido que o grupo permanecerá temporariamente na Terra Indígena Apucaraninha.
“Sete famílias perderam os seus barracos, foi uma perda total de bens materiais. Graças a Deus não houve nada mais grave”, disse a liderança.
Diversos pertences como roupas, móveis e utensílios domésticos se perderam entre as chamas, que mobilizou dois caminhões do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. O secretário municipal de Assistência Social, Cláudio Mello, também esteve no local.
Até o momento, as causas do incêndio não foram determinadas, mas há indícios de que tenha sido provocado por falha elétrica. A própria comunidade relatou que o fogo pode ter começado a partir de ligações improvisadas de energia.
Para tentar reparar as perdas, a comunidade está recolhendo doações. Segundo o cacique, o primeiro passo é reerguer as ocupações. Para isso, são necessários materiais de construção como madeiras, pregos, cimento, tintas, entre outros.
“A gente está pedindo apoio, ajuda para essas famílias. A gente está pedindo madeira, tábua, madeirite, ripa, para erguer os sete barracos novamente. Primeiro nós vamos construir os barracos para depois a gente pedir os móveis que eles perderam, no caso geladeira, colchão, cama, televisão e fogão”, aponta.
Além dos materiais, móveis, roupas, colchões, também é necessário apoio no mutirão de limpeza e reconstrução dos alojamentos. Uma das necessidades mais urgentes é um trator para a retirada dos entulhos.
“A gente vai fazer mutirão para construir e levantar os sete barracos novamente. Antes aconteceu isso, a gente levantou os barracos para as famílias através dos nossos apoiadores, associações, igrejas, que ajudaram, colaboraram com dinheiro também. A gente construiu novamente e a gente está aqui morando até hoje, a gente precisa de apoio”, assinalou.
“Em primeiro lugar, a gente tem que limpar o local onde vai construir novamente que está cheio de entulho, precisa de trator para a carregadeira e caminhão caçamba para retirar os entulhos, para construir os barracos novamente para as nossas famílias que perderam tudo. Precisamos urgente de ajuda”, ele reforçou.

aproximadamente 25 mil pessoas – Foto: Franciele Rodrigues/Portal Verdade
Largados à própria sorte
O cacique Renato Kriri lembra que não é a primeira vez que um incêndio atinge o importante espaço de preservação da cultura indígena. Em abril de 2024, a necessidade de improvisar energia levou a um incêndio, que destruiu casas, além de causar a perda de móveis, roupas e outros pertences (relembre aqui).
Atualmente, residem no local 35 famílias, que dependem de atividades autônomas como a venda de artesanatos para sobreviver. As moradias possuem infraestrutura precária, sem acesso à água potável, saneamento básico e energia. A comunidade possui apenas um banheiro no Centro Cultural.
Os indígenas também denunciam a falta de cumprimento de promessas antigas de reforma e ampliação do Centro Cultural Kaingang. Documento da Prefeitura, datado de 2011, anunciou recursos para essas melhorias, mas até hoje, nada foi feito.
Reintegração de posse
Conforme informado pelo Portal Verdade, em junho do ano passado, foi realizada uma audiência pública no Centro Cultural após pedido de reintegração de posse pela Prefeitura de Londrina.
Em 2015, o Executivo entrou com pedido de reintegração de posse e em 2017, uma decisão favorável ao município foi publicada. A Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) recorreu, mas em 2024, o Tribunal Regional Federal deu ganho de causa ao município.
Os indígenas se recusam a deixar o local e apresentaram documentos da Prefeitura, de 1998, que preveem a construção de casas e do Centro Cultural (relembre aqui).
A comunidade também solicita doações de alimentos. “A gente precisa comer todo dia, a família precisa comer todo dia”, salienta o cacique Renato Kriri.
As doações podem ser entregues diretamente no Centro Cultural, na casa do cacique Renato (Rua Pedro Antônio da Silva, nº 100 – Arpoador). Contribuições de qualquer quantia também podem ser realizadas via chave PIX: (43) 99663-3942 – Renato Kriri.




