Maio Laranja é o mês da campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Em Londrina, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) promove, ao longo de todo o mês, diversas ações que fortalecem a campanha em diferentes regiões da cidade. As atividades marcam o 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A programação é construída em parceria com diferentes instituições da rede de proteção, como as Secretarias Municipais de Educação, Assistência Social, Saúde, Cultura e Defesa Social, além da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Conselho Tutelar, organizações da sociedade civil e coletivos locais.
A mobilização é marcada pelo ato público realizado no próximo sábado (16), a partir das 8h30. A concentração começa em frente ao Banco do Brasil, seguida de caminhada até a Concha Acústica. O evento contará com apresentações culturais, falas públicas e participação de crianças, adolescentes, educadores, profissionais da rede de proteção e comunidade em geral.
Para Márcio Teixeira, educador e integrante do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH), “o intuito é mobilizar a sociedade na campanha contra o abuso e exploração sexual infantil e reforçar a importância da denúncia”, conta Márcio.
Além do ato na região central, a campanha também promove atividades descentralizadas em diferentes territórios de Londrina. A proposta é ampliar o alcance das discussões e aproximar a população dos serviços da rede de proteção.
Na região Oeste A, as ações acontecem em parceria entre a Rede Intersetorial e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Casa Acolhedora. No dia 18 de maio, crianças atendidas pela Casa Acolhedora e pelo Centro de Esperança Por Amor Social (CEPAS) João Turquino participarão de passeata e apresentações na praça em frente ao Condomínio Spazio La Vitta.
Já a Rede Centro promove, também no dia 18, um ato público no Centro Social Urbano da Vila Portuguesa.
Na região Norte A, o ato público de combate ao abuso sexual será realizado no dia 23 de maio, reunindo serviços socioassistenciais, profissionais da saúde e educação, Conselho Tutelar e coletivos populares.
Outra frente da campanha acontece na região Norte B. Entre as atividades previstas estão o “Quiz da Proteção”, desenvolvido no Colégio Estadual Doutor Fernando de Barros Pinto para estimular reflexões entre estudantes, além de uma roda de conversa com mulheres na Ocupação Flores do Campo, acompanhada da exibição de um filme sobre a temática.

Segundo Márcio, uma das principais preocupações da campanha é romper o silêncio que ainda envolve muitos casos de violência sexual. “A importância de se falar sobre isso é principalmente quebrar o tabu de que o silêncio é a melhor saída, e não é”, destacou.
Para ele, todas as ações desenvolvidas buscam “orientar crianças e adolescentes sobre situações de violência que muitas vezes são naturalizadas. Eles precisam saber que devem e podem denunciar, desde situações que parecem inocentes até abusos mais graves”, aponta.
A preocupação de Márcio aparece nas pesquisas: Segundo um mapeamento do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde as denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes tem crescido nos últimos dez anos. Em 2015, foram registrados 21.122 notificações, em 2025 o número passou para 59.887 notificações. Ou seja, em uma década, os casos quase triplicaram. Meninas negras de até 13 anos são as vítimas mais recorrentes.. A pesquisa reforça que os números são alarmantes, mas podem não refletir a realidade por conta da subnotificação.
Neste sentido, Márcio chama atenção para o fato de que muitos casos acontecem dentro do ambiente familiar. Segundo ele, o medo ainda impede muitas denúncias, especialmente entre crianças e adolescentes. “Por isso, a campanha tem reforçado informações sobre acolhimento e sigilo nos canais oficiais. A criança vai ter um cuidado e acolhimento através dos órgãos competentes”, explicou.
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, serviço gratuito disponível 24 horas, além dos Conselhos Tutelares do município, acionados pelo Disque 125.
A campanha Maio Laranja foi instituída nacionalmente a partir da Lei Federal nº 9.970/2000 e faz referência ao caso de Araceli Crespo, menina de oito anos que foi sequestrada, estuprada e assassinada em 1973. Desde então, o 18 de maio passou a simbolizar a luta pelo enfrentamento da exploração e do abuso sexual de crianças e adolescentes no Brasil. A campanha também utiliza uma gérbera laranja como símbolo, por representar a infância e a necessidade de cuidado para florescer.
Embora as ações tenham maior visibilidade durante maio, Márcio ressalta que o trabalho da rede de proteção acontece durante todo o ano. “As discussões são permanentes e as denúncias devem ser feitas o ano todo. A luta não para”, pontua. Informações do portal Verdade



