Em 22 de julho de 1946, uma poderosa explosão destruiu parte do Hotel King David, em Jerusalém, então sede da administração civil e do quartel-general militar do Mandato Britânico da Palestina. O atentado, executado pela organização clandestina sionista Irgun, provocou a morte de 91 pessoas e feriu dezenas de outras, tornando-se um dos episódios mais marcantes da fase final da presença britânica na região.
Entre as vítimas estavam funcionários britânicos, árabes, judeus e pessoas de outras nacionalidades, refletindo a diversidade da população que vivia na Palestina sob administração britânica.
O contexto da ocupação britânica
Após a Primeira Guerra Mundial, a Palestina passou a ser administrada pelo Reino Unido sob mandato concedido pela Liga das Nações. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, aumentou a imigração judaica para a região, impulsionada tanto pelo movimento sionista quanto pela perseguição antissemita na Europa.
O crescimento das tensões entre as comunidades judaica e árabe levou a sucessivos confrontos, enquanto os britânicos enfrentavam dificuldades crescentes para administrar o território. Ao final da Segunda Guerra Mundial, a pressão internacional pela criação de um Estado judeu intensificou-se, especialmente após o Holocausto.
Nesse contexto, grupos armados sionistas passaram a ampliar suas ações contra a administração britânica, buscando acelerar o fim do mandato e abrir caminho para a independência.
O atentado
Na manhã de 22 de julho de 1946, integrantes do Irgun introduziram explosivos escondidos em recipientes de leite no subsolo do Hotel King David, onde funcionavam escritórios administrativos e militares britânicos.
Pouco depois da detonação, uma das alas do edifício desabou completamente. O atentado matou 91 pessoas, entre elas 28 britânicos, 41 árabes, 17 judeus e cinco vítimas de outras nacionalidades, além de deixar dezenas de feridos.
O Irgun afirmou posteriormente que havia emitido avisos telefônicos para que o prédio fosse evacuado antes da explosão. As autoridades britânicas contestaram essa versão, sustentando que não houve tempo suficiente para retirar os ocupantes do edifício. O episódio permanece objeto de debate histórico.
Menachem Begin e o Irgun
Na época do atentado, o Irgun era liderado por Menachem Begin, figura central do movimento sionista revisionista. Décadas depois, Begin ingressaria na política israelense, tornando-se primeiro-ministro de Israel entre 1977 e 1983.
Em 1978, Begin dividiria com o presidente egípcio Anwar Sadat o Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento aos Acordos de Camp David, que estabeleceram as bases para o tratado de paz entre Israel e Egito.
Sua trajetória permanece cercada de controvérsias. Enquanto muitos israelenses o consideram um dos líderes da luta pela independência, diversos historiadores classificam ações como o atentado ao Hotel King David como atos de terrorismo.
Um marco na história do Oriente Médio
O ataque acelerou o desgaste da presença britânica na Palestina. Nos dois anos seguintes, Londres decidiu transferir a questão para as Nações Unidas, que aprovaram, em 1947, o plano de partilha da Palestina.
Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, dando início à primeira guerra árabe-israelense e a um conflito que permanece entre os mais complexos e duradouros da história contemporânea.
Quase oito décadas depois, o atentado ao Hotel King David continua sendo lembrado como um dos acontecimentos que simbolizam a escalada da violência política no Oriente Médio e as profundas disputas em torno da criação do Estado israelense, cujos desdobramentos seguem influenciando a geopolítica mundial.



