A mais recente pesquisa nacional da Indexa Pesquisas, divulgada nesta terça-feira (21), revela que a violência contra as mulheres é percebida como um problema em expansão no Brasil. Segundo o levantamento, mais de dois terços dos brasileiros acreditam que os casos aumentaram nos últimos 12 meses e a maioria também associa declarações públicas ofensivas às mulheres ao agravamento desse tipo de violência.
Os resultados indicam que a percepção social sobre a violência de gênero vai além da ocorrência dos casos, alcançando também o debate sobre o papel da linguagem e do comportamento de figuras públicas na formação do ambiente social.
Maioria percebe aumento da violência
Ao serem questionados sobre a evolução da violência contra as mulheres no último ano, 67% dos entrevistados afirmaram que o problema aumentou. Desse total, 55% disseram que a violência “aumentou muito” e 12% avaliaram que “aumentou um pouco”.
Para 19%, a situação permaneceu estável, enquanto apenas 2% acreditam que houve redução da violência — sendo 1% os que responderam que ela “diminuiu um pouco” e 1% os que afirmaram que “diminuiu muito”. Outros 12% não souberam responder ou preferiram não opinar.
Os dados demonstram uma percepção amplamente disseminada de agravamento da violência de gênero, independentemente das diferentes avaliações sobre suas causas ou possíveis soluções.
Declarações ofensivas são vistas como fator de agravamento
A pesquisa também investigou como a população avalia a influência de discursos públicos que desrespeitam ou ofendem as mulheres.
Para 72% dos entrevistados, esse tipo de declaração contribui para o aumento da violência contra as mulheres. Entre eles, 52% afirmam que essas manifestações “contribuem muito” e 20% entendem que “contribuem um pouco”.
Em sentido contrário, 8% acreditam que essas declarações não exercem influência sobre a violência, enquanto 7% avaliam que elas “nem contribuem nem deixam de contribuir”. Outros 13% não souberam responder.
Os resultados apontam para um elevado grau de consenso entre os brasileiros de que manifestações públicas ofensivas dirigidas às mulheres podem influenciar negativamente o ambiente social e favorecer a naturalização de comportamentos violentos.
Segundo Arilton Freres, sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, os resultados evidenciam que a população relaciona a violência contra as mulheres não apenas às agressões em si, mas também ao ambiente social e simbólico em que elas ocorrem.
“A pesquisa revela um consenso expressivo sobre dois aspectos importantes. O primeiro é a percepção de que a violência contra as mulheres se intensificou no último ano. O segundo é que a maioria dos brasileiros reconhece que discursos públicos ofensivos têm impacto sobre esse cenário. Independentemente das posições políticas dos entrevistados, os dados mostram que a sociedade atribui relevância ao comportamento de lideranças e figuras públicas na construção de valores e na formação de um ambiente de maior ou menor tolerância à violência.”
Metodologia
A pesquisa da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, com 2.000 entrevistas em todas as regiões do Brasil. O levantamento possui 95% de nível de confiança e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02904/2026.
O tradicional Instituto Opinião, que atua desde 2007 no segmento de pesquisas eleitorais, opinião pública e análise de cenários políticos, passou a se chamar Indexa Pesquisas. O reposicionamento integra um processo de expansão e consolidação da marca no mercado, mantendo a mesma estrutura técnica, equipe e metodologia reconhecidas nacionalmente. Com atuação em mais de 300 municípios brasileiros, a empresa inicia esse novo ciclo com uma série de levantamentos nacionais previstos para o calendário eleitoral de 2026.



