A mais recente pesquisa nacional da Indexa Pesquisas, divulgada nesta terça-feira (21), mostra que a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos passou a refletir a polarização política interna. O levantamento revela um eleitorado dividido quanto à responsabilidade pelo agravamento das tensões diplomáticas e comerciais, ao mesmo tempo em que identifica diferentes percepções sobre a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro no episódio.
Quando questionados sobre quem consideram o principal responsável pelo agravamento da crise comercial entre os dois países, 30% dos entrevistados apontam o senador Flávio Bolsonaro, enquanto 28% atribuem a responsabilidade ao presidente Lula. Outros 17% responsabilizam o presidente norte-americano Donald Trump, 12% entendem que os três compartilham igualmente a responsabilidade e 13% não souberam ou preferiram não responder.
Os números indicam que a disputa política doméstica influencia diretamente a percepção da população sobre um tema de política externa, sem a formação de um consenso claro sobre os responsáveis pela escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos.
Atuação de Lula divide opiniões
A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre a postura adotada pelo presidente Lula diante da crise comercial. Para 36% dos entrevistados, o presidente tem agido de forma correta na defesa dos interesses do Brasil. Em contrapartida, 31% consideram que sua atuação é incorreta e não representa adequadamente os interesses nacionais. Outros 10% avaliam que sua conduta não foi nem correta nem incorreta, enquanto 23% não souberam opinar.
Os resultados demonstram um cenário de divisão semelhante ao observado na atribuição de responsabilidades pela crise, evidenciando que o conflito comercial também é interpretado sob forte influência das preferências políticas dos eleitores.
Motivação atribuída à participação de Flávio Bolsonaro nos EUA
O levantamento também investigou como os brasileiros interpretam a participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência pública realizada nos Estados Unidos, relacionada à investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que poderá resultar na imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Para 32% dos entrevistados, a principal motivação do senador foi enfraquecer politicamente o governo Lula. Outros 15% acreditam que a iniciativa teve como objetivo fortalecer sua candidatura à Presidência da República em 2026.
Já 13% entendem que Flávio Bolsonaro participou da audiência para defender os interesses do Brasil. Outros 9% apontaram diferentes motivações, enquanto 31% não souberam ou preferiram não responder.
Maioria não vê vantagem política para nenhum dos lados
Questionados sobre quem tende a se beneficiar politicamente do episódio, 33% dos entrevistados afirmam que a situação não favorece nem Lula nem Flávio Bolsonaro.
Entre aqueles que identificam algum ganho político, 25% acreditam que o episódio beneficia mais Lula, enquanto 18% avaliam que favorece mais Flávio Bolsonaro. Outros 24% não souberam responder.
Para a Indexa Pesquisas, os resultados indicam que temas relacionados à política externa vêm sendo incorporados ao ambiente de polarização política nacional, fazendo com que acontecimentos internacionais sejam interpretados pelos eleitores a partir das disputas internas entre governo e oposição.
Segundo Arilton Freres, sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, os dados mostram que a política externa passou a ser percebida pelos brasileiros sob uma lógica semelhante à da disputa eleitoral. “A pesquisa revela que um tema tradicionalmente associado às relações internacionais passou a ser interpretado pelos eleitores a partir da polarização política nacional. Não há um responsável amplamente reconhecido pela crise comercial, e isso demonstra que os brasileiros avaliam acontecimentos externos também pelo filtro das disputas internas entre governo e oposição. Outro aspecto relevante é que a maior parte dos entrevistados atribui motivações políticas à atuação dos principais atores envolvidos, o que reforça a crescente interdependência entre política externa e disputa eleitoral no imaginário do eleitor.”
Metodologia
A pesquisa da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 16 e 19 de julho de 2026, com 2.000 entrevistas em todas as regiões do Brasil. O levantamento possui 95% de nível de confiança e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02904/2026.
O tradicional Instituto Opinião, que atua desde 2007 no segmento de pesquisas eleitorais, opinião pública e análise de cenários políticos, passou a se chamar Indexa Pesquisas. O reposicionamento integra um processo de expansão e consolidação da marca no mercado, mantendo a mesma estrutura técnica, equipe e metodologia reconhecidas nacionalmente. Com atuação em mais de 300 municípios brasileiros, a empresa inicia esse novo ciclo com uma série de levantamentos nacionais previstos para o calendário eleitoral de 2026.



