O deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do PSDB, anunciou nesta sexta-feira (28) que será candidato ao Senado por Minas Gerais. A decisão de reverter o posicionamento adotado no início de agosto, quando o tucano informou que não disputaria nenhuma carga nas eleições deste ano para se dedicar à melhoria nacional das campanhas do partido.

A candidatura vinha sendo defendida por dirigentes e aliados em Minas, que mantiveram a mobilização mesmo após a recusa inicial de Aécio. Na quarta-feira (26), as autoridades estaduais da federação PSDB-Cidadania e do PDT fizeram um apelo público para que ele entrasse na disputa.

Na quinta (27), o PDT retirou a candidatura de Marcelo Heringer ao Senado e abriu espaço para o tucano na chapa de Alexandre Kalil ao governo estadual. Ao anunciar uma mudança de posição, Aécio atribuiu peso à entrega dos aliados. “Eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais”, disse em conversa com jornalistas.

Negociação da dívida mineira

Ao explicar seu retorno à disputa eleitoral, Aécio citou a situação financeira de Minas Gerais, especialmente o endividamento do Estado, e defendeu maior capacidade de articulação da bancada mineira no Congresso. “Nós vemos numa situação quase que inadministrável no nosso Estado. Não aponto aqui o dedo para ninguém, mas eu aponto, sim, o meu olhar para o futuro”, afirmou.

O tucano pretende, se eleito, liderou as negociações em torno da execução do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), incluindo as discussões sobre a avaliação dos ativos oferecidos por Minas à União para amortizar sua dívida.

“Bancada dos Devedores”

Entre as primeiras iniciativas prometidas por Aécio Neves para um eventual retorno ao Senado está a formação de uma bancada de parlamentares de Estados em dívida com a União.

Batizado pelo tucano da “Bancada dos Devedores”, o grupo teria como objetivo aumentar a pressão política sobre o governo federal nas tratativas sobre os subsídios estaduais. Aécio defende que as discussões resultem em “uma negociação mais realista e que respeite a necessidade de Minas continuar investindo na saúde, na educação, na segurança pública”.

Organização partidária

A segunda justificativa apresentada por Aécio está relacionada à recuperação do espaço político pelo PSDB. O presidente da legenda afirmou que pretende usar um eventual mandato de senador para atuar na reorganização das forças políticas de centro.

“É no Senado Federal que eu pretendo rearticular as forças de centro para apresentarmos ao Brasil um projeto transformador, como tentamos apresentar em 2014”, antecipou em referência à eleição presidencial daquele ano, quando Aécio chegou ao segundo turno e foi derrotado pela então presidente Dilma Rousseff. Informações do Congresso em Foco