A deputada federal e candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) apresentou nesta terça-feira (15) uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com pedido de tutela de urgência, contra uma rede de influenciadores que defendem o fim do voto feminino e atacam a participação das mulheres na política. Gleisi pede a derrubada de posts e a suspensão de perfis que promovem, de forma reiterada, o fim do direito ao voto das mulheres. 

A ação reúne um conjunto de manifestações publicadas em redes sociais, podcasts e programas nas plataformas digitais que, segundo a representação, classificam o voto das mulheres como um erro, propondo o chamado “voto familiar”, ou sustentam que, em caso de divergência entre marido e mulher, a decisão do homem deve prevalecer.

“As mulheres conquistaram o direito de votar e de participar da vida política depois de muita luta. Não podemos aceitar que discursos machistas nos levem de volta ao passado ou questionem a nossa capacidade de decidir os rumos do país. Essa página da história já foi virada e não pode ser reaberta. Nós avançamos e não podemos permitir retrocessos”, disse Gleisi.

A representação pede que as plataformas preservem as publicações e os dados técnicos sobre alcance, impulsionamento e monetização e que sejam retirados do ar, em caráter liminar, os conteúdos individualizados que efetivamente defendam a supressão, redução ou subordinação do voto feminino. 

Nos casos em que houver reiteração comprovada, a ação requer a suspensão temporária dos perfis. A representação também pede que o Partido Missão apresente a íntegra do sexto fascículo do chamado Livro Amarelo e esclareça sua autoria, formas de divulgação e eventual utilização pela campanha presidencial.

A ação ressalta que não se pretende proibir o debate sobre voto, família ou modelos de democracia, mas impedir condutas que possam restringir direitos políticos em razão do sexo, com análise individualizada de cada publicação e respeito à liberdade de expressão.

A legislação eleitoral aplicável às eleições de 2026 passou a prever expressamente a violência política contra a mulher entre os conteúdos sujeitos à atuação das plataformas e da Justiça Eleitoral, e a Resolução nº 23.610/2019 do TSE define como violência política ações destinadas a impedir, obstaculizar ou restringir direitos políticos das mulheres.