“Parem de nos matar” é o nome e o grito do coletivo, que convoca toda a sociedade londrinense a se erguer contra as múltiplas violências que oprimem e matam mulheres todos os dias. 

O grupo organiza um ato neste sábado, dia 26 de setembro, a partir das 14h no Anfiteatro do Zerão, área central da cidade. 

Paula Ribeiro, estudante de Direito e uma das idealizadoras explica que o coletivo “Parem de nos matar” surge em resposta às crescentes opressões e busca reivindicar o direito à vida com segurança e liberdade. 

“Somos um grupo de mulheres com o mesmo ideal, que a violência contra a mulher acabe, que as mulheres possam se sentir livres, existindo, sendo, pensando e querendo”, diz. 

O protesto acontece em meio a mais um caso de feminicídio, registrado no último dia 11 de setembro. A estudante Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, foi assassinada quando entregava panfletos em frente a uma academia, na Zona Leste, onde havia sido recém-contratada.

O encontro terá a presença de familiares de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques e da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, além de falas de pesquisadoras, agentes de segurança e representantes de movimentos sociais.

Apenas entre os dias 1º e 11 de setembro, o Paraná registrou seis feminicídios. As vítimas tinham entre 5 e 53 anos.

Segundo levantamento conduzido pelo Lesfem (Laboratório de Estudos de Feminicídio) vinculado à UEL (Universidade Estadual de Londrina), em 2025, o Brasil teve 6.904 casos de consumação ou tentativa de feminicídio, um aumento de 34% em relação a 2024, que somou 5.150 casos.

“Infelizmente, a crescente da violência contra a mulher transforma o luto em luta. Quando uma mulher morre ou sofre algum tipo de violência, todas as outras sofrem também”, ressalta Paula.

Durante a mobilização, está prevista a confecção de cartazes e oficinas de defesa pessoal e apresentações artísticas. “É um ato de luto, de demonstração de repúdio e revolta. Vamos utilizar diversas linguagens para traduzir isso”, ela indica.

A organização pede que os apoiadores usem roupas pretas. “Estamos em luto, queremos demonstrar esse sentimento tão visceral de tristeza com a perda repentina da vida dessas mulheres”, assinala.

De acordo com Paula, a principal expectativa é conscientizar as mulheres e a população em geral sobre a importância de buscar os canais de denúncia.

“Queremos que as mulheres se sintam um pouco mais empoderadas, já que somos muitas e que estamos umas pelas outras”, adverte.

As vítimas ou testemunhas de atos de violência contra a mulher podem denunciar as agressões pelo Disque 180, pela Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, no Disque 153, na Polícia Militar do Paraná pelo 190, que são serviços 24 horas por dia.

Imagem: Divulgação

Na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher é possível denunciar ou pedir ajuda pelo (43) 3322-1633, que também recebe imagens, áudios e vídeos por Whatsapp, ou pelo e-mail dpmulherlondrina@pc.pr.gov.br. Quem preferir pode ir pessoalmente na Rua Almirante Barroso, nº 107, Jardim Nova Londrina. 

A Delegacia funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h.

Paula reforça a necessidade de fortalecer as políticas de enfrentamento às violências e a rede de acolhimento. 

“As políticas públicas precisam de assertividade e de presença para resguardar as mulheres. É necessária a acessibilidade das mulheres a todos os canais de proteção, é necessário que as delegacias da mulher funcionem 24 horas por dia e que o atendimento seja humanizado e cuidadoso”, finaliza.

Programação do ato

A tarde será aberta às 14h pela cantora Heloísa Trida, seguida da fala inicial da organização. Em seguida, o espaço será aberto à ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes.

Na sequência, uma série de convidadas integra o bloco de reflexão sobre prevenção, direitos e enfrentamento às violências. A cabo Kely Castagnaro, da Patrulha Maria da Penha do 5º Batalhão da Polícia Militar do Paraná, fala sobre prevenção da violência, proteção, rede de apoio e os caminhos disponíveis às mulheres em situação de violência.

A professora Silvana Aparecida Mariano, doutora em Sociologia pela Unicamp, docente da UEL, fundadora do Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina e coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), aborda gênero, feminismo, políticas públicas, violência contra mulheres e feminicídio.

A assistente social Sueli Galhardi, com trajetória de atuação na defesa dos direitos das mulheres, participa do bloco sobre direitos, políticas públicas e enfrentamento às violências. Thayná Camargo, representante da ONG Autimizar, organizações voltada à defesa dos direitos das pessoas autistas, fala sobre autismo, neurodivergência e enfrentamento ao estigma, reforçando que diagnósticos não podem ser usados para justificar a violência nem alimentar preconceitos contra toda uma comunidade.

Um dos momentos mais delicados do encontro será a participação dos familiares de Thaissa Gabriely, que foram convidados a honrar a memória da jovem.

Néias – Observatório de Feminicídios de Londrina fará ainda a leitura de seu Manifesto público por compromissos efetivos das candidaturas pelo fim do feminicídio. O documento afirma que o enfrentamento à violência contra as mulheres não deve se limitar a respostas penais ou simbólicas e defende políticas de prevenção, proteção, reparação, autonomia econômica e emocional e investimento público.

A programação também inclui a atividade prática de defesa pessoal conduzida pela Escola de Kung Fu de Londrina, com orientações voltadas à proteção e autonomia das mulheres. A proposta não é transferir às mulheres a responsabilidade pela violência que sofrem, mas oferecer ferramentas dentro de uma mobilização que reivindica prevenção, segurança e políticas públicas.

No campo artístico, além da abertura de Heloísa Trida, o grupo Camaradinhas, da Regional do Choro, integra a tarde com uma apresentação de choro. Oito alunas do primeiro ano da Escola Municipal de Teatro de Londrina, projeto da FUNCART realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, apresentam uma cena do espetáculo “Cenas de um Casamento”, de Silvio Ribeiro, com direção de José Henrique Silva, atualmente em processo de montagem e com estreia prevista para outubro.

Mais informações podem ser acompanhadas na página @paremdematarmulheres.

Serviço:

Ato “Parem de nos matar”

Data: 26 de setembro

Horário: 14h

Local: Anfiteatro do Zerão

Informações do portal Verdade