O corte de horas extras de professores da rede municipal de Londrina tem preocupado docentes, pais e o Sindserv, entidade que representa a categoria e os demais trabalhadores que integram o quadro do funcionalismo municipal.

Em agosto último, a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu um limite, por professor, de R$ 4,5 mil para o pagamento de horas extras. Em algumas unidades, a regra começou a valer já no mês passado.

Segundo a Prefeitura, a medida faz parte de um remanejamento de recursos para viabilizar a contratação de 72 professores de apoio à inclusão e a convocação de 60 profissionais via teste seletivo.

No entanto, na avaliação de Fábio Molin, presidente do Sindserv Londrina, a redução de horas extras pode aumentar a sobrecarga de trabalho dentro das escolas, principalmente, porque a rede já enfrenta falta de funcionários.

“A precarização da educação, pois em algumas escolas, o corte retira professores das salas de aula e sobrecarrega quem permanece”, indica.

De acordo com a entidade, a falta de pessoal tem forçado o rodízio constante de docentes, além de obrigar diretores, coordenadores e técnicos administrativos a assumirem turmas nas escolas.

Segundo relatos, as escolas situadas em regiões mais afastadas, distritos e regiões rurais, onde o número de profissionais já seria menor, são as mais impactadas. 

Molin compartilha que os docentes receberam o comunicado do Executivo com extrema indignação, haja vista que a maioria já está condicionada a jornadas extenuantes. A liderança salienta que as horas extras são utilizadas para complementar o quadro de servidores e garantir o atendimento aos alunos.

“Já estavam sobrecarregados antes do corte e agora a situação piorou. A administração municipal não repôs ao longo dos últimos anos, nem a quantidade de professores que se aposentaram, exoneraram ou faleceram. A situação em algumas escolas é caótica e preocupa os professores quanto às condições de segurança e aprendizado das crianças”, diz. 

Conforme o Sindicato, atualmente mais de 800 professores realizam atividades acima da carga horária que foram contratados. O déficit estimado é de aproximadamente 1 mil docentes, considerando vagas ociosas que se acumularam ao longo dos anos sem reposição e recentes aposentadorias. 

Desde o início da atual gestão, o Sindserv tem cobrado mais agilidade nas substituições de aposentadorias, exonerações, além de novas contratações.

Molin lembra que em fevereiro deste ano foi noticiada a admissão de cerca de 65 professores, mas até o momento nem todos assumiram. Segundo ele, também há a previsão de que em outubro, 60 novos professores sejam chamados decorrente do processo seletivo em andamento.

“É preciso dizer que o professor recebe por aquilo que ele trabalha, ou seja , se há pagamentos ditos exorbitantes é por que este professor trabalhou muito mais do que foi contratado para suprir a falta de trabalhadores e por isso, muitas vezes adoece”, complementa. 

Além da reivindicação junto à Prefeitura, o Sindserv tem percorrido escolas e CMEIs (Centro Municipal de Educação Infantil) para mostrar à comunidade a realidade enfrentada pela rede municipal de ensino.

De acordo com o Sindicato, em apenas 2 dias, mais de 5 mil panfletos foram entregues alertando pais e responsáveis sobre os impactos da falta de professores e redução de horas extras sem a contratação de novos profissionais. A expectativa é intensificar ainda mais o diálogo com a população nas próximas semanas.

A pasta garante que nenhum aluno ficará sem atendimento. Porém, Molin ressalva que, além da oferta, é necessário atentar-se para a qualidade do ensino. Neste aspecto, o vínculo entre professor e aluno é fundamental, o que tem sido afetado pela alta rotatividade. 

“O professor cria toda uma estrutura de comunicação e confiança com o aluno e a rotatividade acaba dificultando esse relacionamento e o aprendizado  do aluno. O caráter pedagógico das aulas acaba ficando em segundo plano, pois sobrecarregados e sem condições de exercer suas atividades, os professores se tornam apenas cuidadores”, conclui. 

Informações do portal Verdade