A federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, anunciou nesta terça-feira (6) apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão representa uma mudança em relação ao primeiro turno, quando o grupo optou pela neutralidade.

Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a decisão foi tomada de forma unânime pelas executivas nacionais e representantes das duas legendas. A federação decidiu fechar questão em torno de Flávio, embora eventuais punições contra integrantes que optarem por apoiar Lula devam ser discutidas posteriormente.

Participaram da articulação os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. Ambos já mantinham conversas com Flávio sobre a possibilidade de apoio no segundo turno.

A decisão confirma uma aproximação que vinha sendo construída desde antes da votação. No primeiro turno, entretanto, PP e União Brasil preferiram não aderir formalmente à candidatura do PL.

Apoio não significa alinhamento de todas as lideranças

Apesar da decisão nacional, as duas legendas mantêm figuras politicamente próximas ao governo Lula.

Um dos casos é André Fufuca, que foi indicado pelo PP para o Ministério do Esporte em 2023. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira, após conversar com Fufuca, que a tendência é que ele permaneça ao lado de Lula no segundo turno.

No União Brasil, outro nome relevante é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não participou da reunião que formalizou o apoio a Flávio e tem mantido proximidade política com Lula.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também já manifestou apoio à reeleição do presidente.

Assim, embora a federação tenha definido uma posição institucional, a campanha de Lula continuará buscando adesões individuais dentro das duas legendas.

Apoio não muda tempo de televisão

A entrada do PP e do União Brasil na campanha de Flávio Bolsonaro não altera a divisão do horário eleitoral gratuito. No segundo turno, os dois candidatos dispõem de tempos iguais na propaganda de rádio e televisão.

O efeito político da adesão está principalmente na estrutura partidária. PP e União Brasil possuem bancadas expressivas no Congresso e redes de prefeitos, parlamentares e dirigentes estaduais que poderão participar da campanha.

A formalização ocorre dois dias depois do primeiro turno, no qual Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

Caiado também anuncia apoio

Nesta terça-feira, Flávio também recebeu o apoio de Ronaldo Caiado, que disputou a Presidência pelo PSD no primeiro turno.

Depois de uma reunião em Goiás, Caiado prometeu mobilização em favor do candidato do PL e afirmou que pretende trabalhar para que Flávio obtenha uma votação expressiva no estado.

A posição de Caiado, entretanto, é individual. O PSD decidiu permanecer oficialmente neutro no segundo turno e liberou suas lideranças para apoiar qualquer um dos dois candidatos.

A neutralidade foi confirmada pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, em conversa com Edinho Silva, abrindo espaço para que a campanha de Lula procure dirigentes e parlamentares da legenda.

Ciro Nogueira participou da articulação

A adesão do PP também consolida a reaproximação entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro.

Segundo O Globo, questões políticas regionais tiveram peso na posição do dirigente. Aliados de Ciro demonstraram insatisfação com a atuação do PT no Piauí e afirmaram que Lula não teria respeitado um entendimento de não agressão durante a campanha estadual.

Ciro, que não conseguiu se reeleger para o Senado, já havia defendido publicamente que seu partido apoiasse Flávio no segundo turno.

Interlocutores do senador também afirmam que sua avaliação sobre a disputa presidencial mudou ao longo da campanha. A relação com Flávio chegou a atravessar um período de afastamento, inclusive em meio às repercussões políticas do caso Banco Master, mas os dois retomaram as conversas na reta final do primeiro turno.

A decisão de PP e União Brasil inaugura, assim, uma nova etapa das negociações partidárias do segundo turno. Enquanto as direções nacionais definem seus posicionamentos, Lula e Flávio disputam também apoios individuais de governadores, senadores, deputados e lideranças regionais das próprias siglas.

Informações do 247