O deputado federal Sandro Alex (PSD), candidato escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para a sucessão no Paraná, apareceu com 8,6% no cenário mais amplo da Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira (11), enquanto Sergio Moro (PL) lidera com 42,6% e Requião Filho (PDT) marca 19,7%.

O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-00323/2026, ouviu 1.500 eleitores em 57 municípios entre 8 e 10 de maio. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.

O dado mais duro para o Palácio Iguaçu não é apenas o tamanho da vantagem de Moro. É a posição de Sandro Alex na largada estimulada: ele fica atrás de Rafael Greca (MDB), que aparece com 16,3%, e distante da zona que hoje aponta a briga por uma vaga no segundo turno.

A pesquisa não traz simulação de segundo turno no relatório divulgado. O que ela mostra, pelo primeiro turno, é uma disputa numericamente liderada por Moro e uma briga pela segunda vaga entre Requião Filho e Greca, separados por 3,4 pontos. Sandro Alex está 7,7 pontos atrás de Greca e 11,1 pontos atrás de Requião.

No cenário sem Greca, Moro sobe para 49,2%, Requião Filho vai a 23,7% e Sandro Alex chega a 11%. A retirada do ex-prefeito de Curitiba aumenta a votação do candidato governista, mas não o coloca perto do segundo lugar.

Sandro Alex foi anunciado em abril como pré-candidato ao governo pelo próprio Ratinho Junior. Ele foi secretário de Infraestrutura e Logística nos dois mandatos do governador.

A dificuldade já havia aparecido em pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril. Segundo o Blog do Esmael, naquele levantamento Sandro Alex era desconhecido por 78% dos entrevistados e alcançava no máximo 6% nos cenários de primeiro turno.

A Paraná Pesquisas agrava esse quadro porque testa Sandro depois do anúncio público feito por Ratinho Junior. Ainda assim, o eleitorado não deslocou a força do governador para o nome escolhido pelo grupo palaciano.

A própria pesquisa mostra o tamanho do paradoxo. Ratinho Junior tem 79,6% de aprovação no Paraná, contra 17,3% de desaprovação. A gestão é avaliada como ótima por 31% e boa por 36,9%, o que soma 67,9% de avaliação positiva.

Mas, quando o instituto pergunta quem merece o apoio de Ratinho Junior, Moro lidera com 38,5%. Greca aparece com 16%, Sandro Alex tem 11% e Requião Filho marca 9,1%.

Esse dado atinge o coração da estratégia governista. O eleitor aprova Ratinho, mas não identifica Sandro Alex como herdeiro natural dessa aprovação. Em uma eleição de sucessão, essa distância entre aprovação administrativa e transferência eleitoral costuma cobrar preço caro.

A rejeição também ajuda a explicar o quadro. Sandro Alex é pouco rejeitado, com 7,1%, bem abaixo de Requião Filho, que tem 33,7%, e de Moro, que tem 25,1%. O problema de Sandro, por enquanto, não é teto negativo. É falta de largada.

Moro aparece como o nome mais consolidado. Na espontânea para governador, quando o eleitor responde sem lista, ele tem 14,8%. O número ainda é baixo em termos absolutos, porque 66,6% não sabem ou não opinaram, mas já o coloca à frente dos demais nomes citados.

Requião Filho surge como adversário mais competitivo de Moro no cenário estimulado, mas carrega a maior rejeição da lista. Greca, sem ser o nome oficial do Palácio Iguaçu, mantém força suficiente para rondar a disputa pela segunda vaga.

Sandro Alex entra na pesquisa com cargo, partido, apoio do governador e histórico na máquina estadual. Mesmo assim, seus 8,6% indicam que o anúncio de Ratinho ainda não virou voto. Para o PSD, a conta é simples: sem transferência real do governador, a candidatura palaciana começa como coadjuvante na própria sucessão.

A fotografia da Paraná Pesquisas não encerra a eleição, mas mostra o tamanho da tarefa de Ratinho Junior: transformar aprovação em herança eleitoral antes que Moro consolide a dianteira e Requião ou Greca ocupem de vez a vaga de confronto no segundo turno. Informações do jornalista Esmael Morais