Neste sábado (25), a 6ª edição do Prêmio Tereza de Benguela, iniciativa do Coletivo Black Divas, reconhece mulheres negras por suas contribuições à transformação social, à defesa dos direitos humanos e ao fortalecimento das comunidades.
A cerimônia será realizada no Cine Teatro Villa Rica, com recepção às 18h e abertura às 19h. A iniciativa integra as celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Idealizado em 2019 por Sandra Aguillera, o prêmio nasceu da necessidade de enfrentar o apagamento histórico das trajetórias de mulheres negras.
Para a coordenadora do Instituto Coletivo Black Divas, a iniciativa representa um ato de memória e reparação histórica. “O prêmio foi idealizado para romper esse apagamento histórico e dar visibilidade às trajetórias de mulheres que, diariamente, contribuem para a educação, a saúde, a cultura, o empreendedorismo, a pesquisa, a justiça, a assistência social, os direitos humanos e o fortalecimento de suas comunidades”, afirma Sandra.
Segundo ela, reconhecer essas lideranças significa fortalecer o protagonismo de mulheres negras e inspirar novas gerações a ocuparem espaços historicamente negados.
O evento reúne representantes do poder público, universidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, empresas, lideranças comunitárias, profissionais de diferentes áreas, estudantes, familiares e a comunidade em geral. A proposta é celebrar histórias que marcaram a construção de Londrina e reafirmar a importância da luta antirracista.
A escolha do nome do prêmio também carrega esse compromisso com a memória. Tereza de Benguela foi uma das principais lideranças quilombolas do Brasil no século XVIII e comandou o Quilombo do Quariterê, no atual estado de Mato Grosso.
Tereza de Benguela coordenou a defesa do quilombo e organizou uma estrutura social que permitia aos seus mais de 100 integrantes viverem do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca e banana, além da venda do excedente da produção e da confecção de tecidos feitos com o algodão de parte da colheita. Tereza também comandava a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo.
Assim, reconhecida por sua capacidade de organização política e resistência à escravidão, tornou-se símbolo da luta pela liberdade e da liderança das mulheres negras.
Para Sandra, homenagear mulheres sob o nome de Tereza de Benguela significa reafirmar que elas sempre ocuparam espaços de liderança, ainda que tenham sido invisibilizadas pela história oficial.
“Buscamos manter viva sua memória e reafirmar que as mulheres negras sempre ocuparam espaços de liderança. O legado de Tereza permanece presente nas mulheres que hoje lideram projetos, produzem conhecimento, defendem direitos, empreendem, educam, promovem cultura, cuidam de suas comunidades e transformam realidades”, destaca.
Segundo Sandra, mais do que cargos ou títulos, o prêmio valoriza mulheres que enfrentam o racismo e o sexismo e deixam um legado em seus territórios.
Ao longo das cinco primeiras edições, 160 mulheres foram homenageadas. Com as 36 reconhecidas neste ano, a premiação alcança a marca de 196 trajetórias celebradas. Para a idealizadora, esse conjunto de histórias constitui uma rede de lideranças que preserva memórias, fortalece referências e reafirma o protagonismo das mulheres negras na construção da cidade.

A trajetória do Prêmio Tereza de Benguela acompanha o fortalecimento das ações do movimento negro em Londrina. A primeira edição foi realizada em 2019, na Câmara Municipal, mas a iniciativa precisou ser interrompida durante a pandemia de Covid-19, sem edições em 2020 e 2021.
O reconhecimento foi retomado em 2022 e, desde então, passou a ampliar o número de homenageadas, os espaços de realização e o alcance do evento, consolidando-se como uma das principais ações do Instituto Coletivo Black Divas nas celebrações do 25 de julho.
Desde a retomada, o prêmio também ampliou sua dimensão e visibilidade. As edições mais recentes passaram a reunir mulheres negras de diferentes gerações, profissões e territórios, evidenciando a diversidade de lideranças existentes em Londrina e fortalecendo o reconhecimento de trajetórias historicamente invisibilizadas.
Integrante da comissão organizadora, Mauricéia Severino destaca que o crescimento do público, da visibilidade e das parcerias foi acompanhado por mudanças na própria organização do evento.
“Foram aprimorados o processo de escuta e indicação das homenageadas, a articulação com parceiros e apoiadores e a estrutura das cerimônias, incorporando apresentações culturais e maior integração com a comunidade”, explica.
Segundo ela, as edições mais recentes também buscaram descentralizar as indicações para alcançar mulheres de bairros e periferias mais afastados.
“O Prêmio Tereza de Benguela rompe o silenciamento de mulheres que sustentam a base social e cultural da cidade. A visibilidade gerada ajuda a abrir portas profissionais, institucionais e políticas e cria referências para meninas e jovens negras, mostrando que suas histórias e lutas têm valor e merecem ser celebradas”, aponta Mauricéia.
Entre as homenageadas desta edição está Gisela Custódio Oliveira, liderança da Zona Sul de Londrina. Moradora do bairro Franciscato, mãe solo, estudante e cozinheira, ela atua em movimentos ligados à moradia digna, educação, saúde e ao coletivo de mulheres negras.
Gisela compartilha que receber o prêmio representa o reconhecimento de uma trajetória construída na luta coletiva “Devemos sempre buscar pelos nossos direitos, direito de moradia, dizer para a sociedade que nós, mulheres, somos capazes de construir uma sociedade justa com dignidade de vida”, defende.
Gisela conta que sua trajetória foi marcada pelo machismo, pelo preconceito racial e pela violência psicológica. Ainda assim, afirma que encontrou na luta por igualdade, justiça e liberdade a motivação para continuar atuando em sua comunidade. “Que as mulheres negras continuem lutando pelos seus direitos de liberdade, reconhecimento e transformação para uma vida melhor, que não deixem ser silenciadas”, esperança Gisela.
Ao chegar à sexta edição, o Prêmio Tereza de Benguela busca consolidar-se como um espaço permanente de memória, reconhecimento e reparação histórica.
Serviço
6ª edição do Prêmio Tereza de Benguela
Data: 25 de julho (sábado)
Horário: A partir das 18h
Local: Cine Teatro Villa Rica- Rua Piauí, 211, Centro, Londrina



