A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou numericamente a desaprovação pela primeira vez em 2026, segundo pesquisa Datafolha publicada pela Folha de S.Paulo. O governo é aprovado por 49% dos entrevistados e desaprovado por 48%, mas os índices continuam tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento mostra uma inversão em relação a junho, quando 48% aprovavam a gestão e 49% a desaprovavam. A mudança ocorreu dentro da margem de erro, com oscilação positiva de um ponto na aprovação e negativa de um ponto na desaprovação.
Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, entre quarta-feira (22) e quinta-feira (23). A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-01166-2026.
Avaliação positiva permanece em 32%
Apesar da vantagem numérica da aprovação, a avaliação qualitativa do governo Lula continua estável. A gestão é considerada ruim ou péssima por 38% dos brasileiros, enquanto 32% a classificam como ótima ou boa. Outros 28% avaliam o governo como regular.
Os percentuais repetem os resultados registrados nas rodadas de maio e junho. Isso indica que, até o momento, o novo conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos não alterou de maneira significativa a percepção da população sobre o governo federal.
A nova rodada de sobretaxas norte-americanas contra produtos brasileiros foi anunciada em 15 de julho, após uma investigação dos Estados Unidos sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil. Na quarta-feira (22), as medidas foram reforçadas por tarifas relacionadas a acusações de trabalho análogo à escravidão.
Efeito político do novo tarifaço ainda é incerto
A estabilidade contrasta com o movimento observado depois do primeiro tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, em 2025. Na ocasião, Lula adotou uma campanha de reação nacionalista e registrou melhora em seus índices de avaliação nos meses seguintes.
Entre julho e setembro de 2025, o percentual dos brasileiros que consideravam o governo ótimo ou bom subiu de 29% para 33%. O indicador permaneceu próximo desse nível desde então e agora está em 32%.
O primeiro aumento de tarifas também foi associado à tentativa do governo Trump de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Na pesquisa realizada logo após aquele anúncio, porém, a melhora na avaliação de Lula ainda não havia sido identificada.
Esse histórico mantém em aberto a possibilidade de o novo embate comercial produzir efeitos nas próximas pesquisas. Lula deve explorar politicamente o tarifaço durante a campanha presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa eleitoral.
Governo recuperou parte da avaliação perdida
A maior mudança na avaliação de Lula durante o terceiro mandato ocorreu entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Nesse período, o percentual de ótimo ou bom recuou de 35% para 24%, o pior resultado registrado pelo petista desde o início de seu primeiro governo, em 2003.
A queda ocorreu durante uma sequência de crises políticas e de comunicação. Entre os episódios de maior repercussão esteve a controvérsia envolvendo a fiscalização de movimentações financeiras realizadas por Pix, que provocou forte reação da oposição.
O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos voltou ao centro das relações comerciais com os Estados Unidos. O governo norte-americano considera que o Pix prejudica empresas de cartões de crédito do país, argumento incluído entre as reclamações contra práticas econômicas brasileiras.
Evangélicos e pessoas com ensino superior concentram rejeição
Os resultados mostram diferenças relevantes na avaliação do governo conforme religião, escolaridade, região, renda, idade e gênero. A maior rejeição aparece entre os evangélicos: 51% classificam a gestão como ruim ou péssima.
A avaliação negativa também supera a média entre pessoas com ensino superior, com 48%; moradores da região Sul, com 46%; e homens, com 43%.
O governo obtém seus melhores índices de ótimo ou bom entre pessoas com menor escolaridade, com 46%, e moradores do Nordeste, com 45%. A avaliação positiva chega a 42% entre brasileiros com mais de 60 anos, 39% entre os mais pobres e 38% entre os católicos.
As diferenças acompanham as tendências eleitorais verificadas nesses segmentos. Lula preserva maior apoio entre nordestinos, pessoas de baixa renda, idosos e eleitores com menor escolaridade, enquanto enfrenta resistência mais elevada entre evangélicos, moradores do Sul e brasileiros com curso superior.
Saúde e segurança lideram preocupações
A saúde permanece como o principal problema apontado pelos brasileiros, mencionada por 21% dos entrevistados. A segurança pública aparece na segunda posição, com 19%, seguida pela economia, com 14%.
Outros 9% indicaram a corrupção como maior preocupação, enquanto 8% citaram a educação e 5% mencionaram o desemprego. A ordem das prioridades apresentou poucas alterações em relação ao levantamento anterior.
Informações do 247



