Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) abriram neste domingo, 16 de agosto, a campanha pelo governo do Paraná com agendas que revelam três caminhos políticos distintos para uma disputa que já chega marcada pela busca do segundo turno.
A largada coincide com a data definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o início oficial da propaganda eleitoral, inclusive na internet. O calendário também autoriza, a partir deste domingo, caminhadas, carreatas e outras formas de mobilização previstas na legislação eleitoral.
Não se trata, portanto, apenas de três candidatos que começaram a fazer campanha. As agendas escolhidas por Moro, Sandro Alex e Requião Filho ajudam a mostrar como cada grupo pretende construir uma candidatura capaz de alterar o atual desenho da corrida pelo Palácio Iguaçu.
Moro aposta na marca pessoal
Sergio Moro escolheu Maringá para iniciar sua campanha. A decisão coloca no centro da largada a figura do próprio candidato, sua trajetória nacional e uma identidade política construída desde a Operação Lava Jato.
O discurso de Moro tem como componentes recorrentes o combate à corrupção, a segurança pública e a oposição ao campo petista. A aliança com o Partido Liberal (PL) também conecta sua candidatura ao eleitorado bolsonarista no Paraná e ao palanque nacional de Flávio Bolsonaro.
Essa estratégia transforma a campanha estadual em uma disputa que também carrega elementos da polarização nacional. Moro não precisa apenas apresentar um programa para o Paraná. Precisa preservar a identificação política que o levou ao Senado e, ao mesmo tempo, converter essa marca nacional em votos para uma eleição estadual.
O movimento tem um efeito claro sobre os adversários: quem pretende chegar ao segundo turno precisa disputar o eleitor que já reconhece Moro como nome competitivo.
Sandro Alex joga com território e continuidade
Sandro Alex adotou uma largada diferente. O candidato do Partido Social Democrático (PSD) percorreu Curitiba, a Região Metropolitana e municípios do interior, reforçando uma estratégia baseada na presença territorial e na estrutura política construída pelo governador Ratinho Junior (PSD).
Essa não é uma característica nova da candidatura. Durante a pré-campanha, Sandro Alex participou de encontros regionais com prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Em Piraquara, por exemplo, defendeu a continuidade dos projetos do governo Ratinho Junior e apresentou a candidatura como parte de um projeto coletivo. O PSD afirma ter 200 prefeitos filiados no Paraná.
Na Região Metropolitana de Curitiba, a movimentação também ganhou musculatura política. Em junho, 25 prefeitos declararam apoio à pré-candidatura de Sandro Alex em encontro que contou com Ratinho Junior e Alexandre Curi.
A aposta, portanto, é menos centrada na personalidade individual do candidato e mais na capacidade de transformar a máquina política de prefeitos, deputados, vereadores e lideranças regionais em presença eleitoral.
Existe, porém, um problema objetivo para essa estratégia: conhecimento do nome. Pesquisa Quaest divulgada em julho apontou que 68% dos eleitores paranaenses diziam não conhecer ou nunca ter ouvido falar de Sandro Alex.
A campanha tem pouco mais de um mês até o primeiro turno para transformar presença territorial em reconhecimento eleitoral.
Requião Filho conecta Paraná e projeto nacional
Requião Filho, por sua vez, escolheu São Paulo para a largada, participando do movimento nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
O gesto reforça uma característica diferente da candidatura: a conexão com o campo político que apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência.
O PT já formalizou apoio a Requião Filho no Paraná. A aliança foi construída em torno de uma candidatura de oposição a Ratinho Junior e de uma posição crítica ao lavajatismo e ao bolsonarismo.
Essa posição também apareceu no lançamento da pré-candidatura, em Curitiba, quando Requião Filho fez críticas à gestão Ratinho Junior e questionou a ausência de propostas de Moro para o Estado.
A estratégia de Requião Filho combina, assim, duas frentes: oposição ao grupo que governa o Paraná e identificação com o eleitorado de Lula. O desafio é transformar essa conexão nacional em uma candidatura estadual capaz de ultrapassar a barreira da polarização e alcançar setores que não estão necessariamente alinhados ao governo federal.
Três caminhos para o mesmo segundo turno
A fotografia da largada mostra três campanhas tentando resolver problemas diferentes.
Moro parte de uma marca política nacional consolidada e procura transformá-la em vantagem na disputa estadual.
Sandro Alex precisa ampliar rapidamente o conhecimento sobre seu nome e converter a estrutura municipal do grupo de Ratinho Junior em votos.
Requião Filho busca reunir o eleitorado de oposição ao governo estadual com a força do palanque nacional de Lula e do PDT.
Por isso, a pergunta “quem começou melhor?” não pode ser respondida apenas pela agenda de um domingo. Não existe, até aqui, um indicador eleitoral produzido a partir das atividades de 16 de agosto que permita medir qual largada foi mais eficiente.
O que existe é uma disputa de estratégias.
Moro aposta na identidade política. Sandro Alex aposta na capilaridade. Requião Filho aposta na oposição e na conexão nacional.
A disputa pelo segundo turno será justamente o teste dessas três fórmulas.
O relógio eleitoral começou a correr
A partir deste domingo, as campanhas podem fazer propaganda eleitoral oficialmente, inclusive na internet. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa em 28 de agosto, o que dá às candidaturas um novo espaço para apresentar propostas e atacar os adversários dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Até lá, a batalha será principalmente por presença, reconhecimento e narrativa.
Moro precisa impedir que os adversários desconstruam sua liderança política.
Sandro Alex precisa deixar de ser apenas o candidato conhecido pelas lideranças que apoiam Ratinho Junior e tornar-se conhecido pelo eleitor comum.
Requião Filho precisa transformar o discurso de oposição em uma candidatura competitiva para além de sua base política tradicional.
O Paraná entrou oficialmente na campanha. Agora começa a parte mais difícil para os três: convencer o eleitor de que o caminho escolhido para chegar ao Palácio Iguaçu também é o caminho para vencer a eleição.
Informações do jornalista Esmael Morais



