A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneceu estável mesmo após o anúncio de uma nova rodada de tarifas do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (24), 38% dos entrevistados classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 32% a consideram ótima ou boa. Outros 28% avaliam o governo como regular.
Segundo o jornal Folha de São Paulo, o Datafolha ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 139 municípios entre quarta-feira (22) e quinta-feira (23). A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado sob o código BR-01166-2026.
Os percentuais repetem os registrados nas pesquisas realizadas em maio e junho. Até o momento, portanto, os números não indicam alteração na avaliação do governo após o mais recente conflito comercial com os Estados Unidos.
A nova rodada de sobretaxas contra produtos importados do Brasil foi anunciada no dia 15, em meio a uma investigação estadunidense sobre práticas comerciais brasileiras. Na quarta-feira (22), novas sobretaxas foram aplicadas sob acusações relacionadas a trabalho análogo ao de escravo.
Avaliação mantém patamar dos últimos meses
No primeiro tarifaço, em 2025, associado à tentativa do governo Trump de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a não condenar o ex-mandatário Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, Lula lançou uma campanha em defesa da soberania nacional.
Entre julho e setembro daquele ano, o percentual dos que consideravam o governo ótimo ou bom passou de 29% para 33%. Esse índice permaneceu praticamente no mesmo nível desde então.
Os dados mais recentes também apontam estabilidade quando os entrevistados são questionados sobre aprovação e desaprovação do governo. A aprovação oscilou de 48%, em junho, para 49%, enquanto a desaprovação passou de 49% para 48%.
Durante o terceiro mandato de Lula, iniciado em 2023, a maior mudança registrada pelo Datafolha ocorreu entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Nesse intervalo, a parcela que considerava o governo ótimo ou bom caiu de 35% para 24%, o menor nível registrado entre todos os governos do petista desde 2003.
Naquele período, o governo enfrentou diferentes crises, entre elas a controvérsia relacionada à taxação de movimentações via Pix. O sistema de pagamentos instantâneos aparece agora entre as reclamações estadunidenses, sob o argumento de que prejudicaria empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos.
Avaliação varia entre grupos sociais
A pesquisa aponta que a avaliação negativa do governo supera a média entre homens, grupo no qual 43% consideram a gestão ruim ou péssima. O índice chega a 46% entre moradores da região Sul, a 48% entre pessoas com ensino superior e a 51% entre evangélicos.
A avaliação positiva, por outro lado, fica acima da média entre católicos, com 38%; pessoas de menor renda, com 39%; entrevistados com mais de 60 anos, com 42%; moradores do Nordeste, com 45%; e pessoas com menor escolaridade, com 46%.
Saúde lidera preocupações
O Datafolha também perguntou aos entrevistados quais temas mais preocupam os brasileiros. Os resultados permaneceram próximos aos observados no levantamento anterior.
A saúde aparece em primeiro lugar, citada por 21% dos entrevistados. Na sequência, estão segurança pública, com 19%, e economia, com 14%. Corrupção foi mencionada por 9%, educação por 8% e desemprego por 5%.



